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Fundamentalismo político

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A ideia de fundamentalismo foi colocada num limbo do vocabulário. Todo aquele que é classificado como fundamentalista passa a ser, automaticamente, um sujeito nocivo, violento, agressivo, retrógrado, reacionário, enfim, basicamente aquilo que o mundo moderno da política costuma classificar como um fascista. 
Contudo, o fundamentalista é aquele que busca agir com lealdade aos fundamentos que crê e defende. O antônimo de fundamentalismo seria, portanto, a maleabilidade, que deve ser entendida na política, em parte, não como uma virtude, mas antes como uma fraqueza. A história mostra também que os grupos políticos que ao longo do tempo foram vencedores sempre souberam se manter inamovíveis em seus ideais, abrindo mão de um ou outro ponto superficial em nome da defesa do que é essencial. São perfeitamente fundamentalistas nessa ótica. 
A política é feita com base em muitas técnicas de engenharia social, envolvendo a mídia, a educação pública, a intelectualidade, as instituições, enfim, a…

Nossa república sempre será uma velha república

Não tenho medo de afirmar que desde os protestos de 2013 o Brasil não é o mesmo. Não estou aqui fazendo nenhum juízo de valor, antes atestando um fato. Não consigo, também, encontrar nenhum paralelo destes cinco anos com nenhum período da história republicana. Todavia, em grupos privados, tenho exposto o meu receio de que o momento que temos passado seja semelhante ao da Primeira República (1889-1930), quando chegava em seus estertores. Uma fração das elites brasileiras, naquele momento, achou por bem "fazer uma revolução antes que o povo a fizesse". 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior intelectual vivo dentro da esquerda nacional, já apontou para as circunstâncias em que passamos hoje serem aquelas típicas de momentos pré-revolucionários. Há que se lembrar ainda que o Brasil não passou por uma "revolução burguesa", como ocorreu na Europa e nos Estados Unidos. A Revolução (golpe) de 1930 foi tramado pelos militares em comunhão com uma elite dissidente…

Há como prever o resultado das eleições?

Já tem bastante tempo que venho fazendo a análise de alguns cenários possíveis sobre as eleições deste ano. Insisti por muito tempo sobre a viabilidade eleitoral de Joaquim Barbosa, aliás, falei isso com bastante antecedência (basta olhar os posts do ano passado nesse blog para ver isso). Análise não é aposta e eu não apostei que ele já estava eleito, apenas apontei para o fato de se ele viesse mesmo disputar a eleição (algo que sempre coloquei em condicional, afinal, a imprensa e as informações de bastidores sempre apontaram para o fato da reticência de Joaquim Barbosa em participar do pleito) seria o candidato com mais chances de ser exitoso, dada a composição de candidaturas em 2018.
O ex-ministro do STF desistiu de sua candidatura. Era algo dentro do esperado. Barbosa não queria ser candidato. Queria (e quer ainda) ser presidente. Sua expectativa era a da unção. Imaginava que levantaria rapidamente um forte movimento de apoio das classes falantes em torno de si. Imaginava também …

Márcio França será reeleito governador de São Paulo

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Desde 2006, quando o também vice de Alckmin, Cláudio Lembo, na época no ainda PFL, assumiu o governo com a renúncia do titular que iria naquele ano disputar a presidência pela primeira vez, São Paulo não era governado por alguém que não fosse do PSDB. Mesmo assim, o pequeno período de Lembro à frente do executivo paulista foi inexpressivo, sendo marcado, negativamente, apenas pelas séries de ataques terroristas realizados pelo PCC.
Agora, em 2018, Alckmin novamente renuncia no fim de seu mandato para disputar a presidência da república, deixando no comando do estado bandeirante o seu vice, Márcio França, ex-prefeito de São Vicente, filiado ao PSB. 
As diferenças entre Lembo e França são muitas. A idade, o estilo, o partido e a disposição em querer permanecer no cargo, inexistente no primeiro e firme no segundo. 
Com a quebra da hegemonia tucana em São Paulo em vista, França já constrói amplo arco de apoios partidários, com siglas pequenas e médias, ainda com chances de atrair siglas …

A direita e o federalismo

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Lula está preso e não sabemos por quanto tempo ele ficará detido. Creio que mesmo que ele venha a sair da cadeia brevemente essa sua saída será temporária, por que ainda há vários outros processos em que ele é réu e deverá ser condenado. 
Porém, o grotesco espetáculo que ele protagonizou no último fim de semana mostra ainda que lhe resta alguma força política e muita força simbólica. Já afirmamos, ano passado, neste blog que caso ficasse livre e pudesse disputar a eleição, os brasileiros, fatalmente, acabariam elegendo o sapo de Garanhuns. É difícil falar de maneira hegemônica e reducionista, mas, a grosso modo, os nordestinos tendem a votar no assistencialismo. Além do eleitorado nordestino, Lula ainda tem muito voto em vários estratos e classes sociais. Seu governo não foi de ruptura política nem econômica. Se seguiu a risca a cartilha demagógica e populista de Getúlio Vargas, sendo considerado um novo "pai dos pobres" também é justo qualificá-lo como sendo a grande mãe d…

O excesso de candidaturas é sinal de vacuidade no poder

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Estamos no fim de março e até agora várias são as candidaturas postas à presidência da república, elenquemos elas:
1. Lula (ou Haddad/Jacques Wagner) - PT
2. Ciro Gomes - PDT
3. Marina Silva - Rede
4. Geraldo Alckmin - PSDB
5. Jair Bolsonaro - PSL
6. Álvaro Dias - PODEMOS
7. Fernando Collor - PTC
8. Michel Temer (ou Henrique Meirelles) - MDB
9. Rodrigo Maia - DEM
10. Flávio Rocha - PRB
11. João Amoedo - NOVO
12. Guilherme Boulos - PSOL
13. Manoela D'Ávila - PC do B
14. Paulo Rabello de Castro - PSC
15. José Maria Eymael - PSDC
16. Levy Fidelyx - PRTB
17. Valéria Monteiro - PMN
18. Cabo Daciolo - PEN/Patriota

Não estou colocando nessa lista os possíveis candidatos do PSTU e PCO, que sempre tem lançado nomes a essa disputa e também da possibilidade de algum nome do PSB, seja Joaquim Barbosa, seja Aldo Rebelo.
De todo modo, estamos falando em vinte candidatos. Uma disputa como essa não se vê desde 1989, quando também tivemos inúmeras candidaturas e um postulante que representava a elite mais coroca d…

É preciso destronar o PSDB

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No início do próximo mês de Abril, Geraldo Alckmin irá se descompatibilizar do cargo de governador do Estado de São Paulo (cargo que ocupou por quatro mandatos) para, assim como em 2006, disputar a presidência da República. Na época, quem ocupou seu lugar foi o vice Cláudio Lembo, do então PFL (hoje no PSD, de Gilberto Kassab). Lembo em sua curta passagem teve que enfrentar a maior crise das últimas décadas em nosso estado: a série de ataques criminosos perpetrados pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC. Reza a lenda, à boca miúda, que após esses atentados, o governo estadual fez um acordo de co-governança com as lideranças dessa quadrilha, o que explicaria a redução dos índices de criminalidade, tão alardeados por Alckmin.
Passados doze anos, quem ficará como governador entre Abril e Dezembro é o ex-prefeito de São Vicente, Márcio França. Homem de um só partido, ele é um dos caciques do Partido Socialista Brasileiro, o PSB, legenda que foi uma das que mais cresceu na última década,…