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Memórias docentes

Certa vez, dava eu aula em uma determinada escola estadual. Esse colégio desfrutava de uma considerável fama positiva na região, como sendo uma escola muito rígida, onde imperavam certos padrões que hoje caíram em desuso na maior parte da rede estadual de ensino, como o uso de uniforme, fazer fila na hora da entrada, cantar o hino nacional ou rezar a oração do Pai Nosso. Centros de educação pública onde isso ainda ocorre não são a regra, mas completa exceção. Dar aula em escola onde, pretensamente, impera um certo modelo tradicional, amarrado aos moldes da educação do passado, as vezes é bem mais difícil do que lecionar em colégios mais flexíveis, onde a direção da escola costuma fazer vistas grossas para todas essas tradições e dar mais liberdade para que o professor, dentro das quatro paredes que fazem uma sala de aula, tenha mais liberdade para dar da maneira que lhe aprouver.  Tive essa experiência. Escolas públicas onde o tipo de aluno médio presente é o pobre com ares de classe mé…
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Perspectivas eleitorais para o Governo de São Paulo

Mais do que a eleição para a presidência da República, o que me preocupa é saber quem haverá de ser o próximo governador do Estado de São Paulo. 2018 será uma eleição marcante e tem tudo para trazer um divisor de águas na política estadual, pois ao que tudo indica, nenhum nome "histórico" do PSDB deve disputar o posto: nem Serra, nem Aloysio Nunes.
Para entender esse jogo é preciso esperar, pois muita coisa está indefinida. Por exemplo, não creio que João Dória não disputará a presidência da República. No meu entender ele já está com a campanha nas ruas do Brasil, como também estão fazendo Lula, Bolsonaro, Ciro e Alckmin. Se o prefeito disputasse o governo do estado, creio que seria imbatível e levaria no primeiro turno.
Do ninho tucano qualquer arranjo pode sair. Hoje se fala que Alckmin tem a perspectiva de querer emplacar um nome novo, como fez com Dória ano passado. Esses nomes seriam do secretário de saúde, doutor David Uip e o recém filiado ao PSDB, o cientista políti…

Quem será o próximo presidente do Brasil?

Há mais de um ano para as próximas eleições e tudo o que nós podemos fazer são conjecturas. Quais serão os candidatos à presidência do Bananão? Quais serão os nomes dos partidos políticos? Qual o sistema eleitoral? Haverão coligações? Tudo daqui em diante pode mudar.
Há, contudo, algumas perspectivas. Vários analistas tem apontado que uma tendência do eleitorado seria buscar um nome que oferecesse segurança institucional e estabilidade. O nome dos sonhos para esse pessoal seria Geraldo Alckmin. Nada menos empolgante pode existir do que um governo do senhor Picolé de Chuchu. Mentira, tem sim. Imaginem uma palestra do Eduardo Suplicy sobre a renda básica de cidadania. Isso sim é chato pra caramba, mas voltemos a 2018.
Se o eleitorado está realmente querendo fugir das radicalizações políticas, por que raios os dois candidatos que hoje ocupam a dianteira em todas as pesquisas, são candidatos radicais, Lula e Bolsonaro?
Lula tem feito um discurso para agradar um amplo espectro de esquerda…

Esoterismo e pensamento moderno

Estudando sobre o movimento da Escola Nova, muito famoso no Brasil por meio de Anisio Teixeira, responsável por uma série de reformas educacionais nas primeiras décadas do século passado, chego a Adolphe Ferriere. Este pedagogo suíço é considerado o principal pensador dessa corrente da educação no período e até hoje é uma referência nos cursos de formação de professores. Para minha surpresa, Ferriere foi amigo próximo de Karl Ernst Krafft, matemático e astrólogo também suíço. Kraft, por sua vez, ficou famoso por ser o "astrólogo de Hitler". 
É curiosa a aproximação que existe de vários campos do pensamento moderno e contemporâneo, com os diversos ramos e escolas do esoterismo. Muito mais eu poderia escrever aqui sobre isso, mas deixo esse apontamento como registro.
http://astrologianapratica.com.br/blog/krafft-o-astrologo-de-hitler/ https://fr.wikipedia.org/wiki/Adolphe_Ferri%C3%A8re

Nunca assisti Kiarostami

Quando jovem sempre lia algum encarte de jornalões que me parava nas mãos. O guia cultural da Folha ou do Estadão. Era uma espécie de revistinha, impressão também em papel jornal, que trazia as principais novidades da agenda cultural de São Paulo: novos restaurantes e botecos, peças de teatro em cartaz, musicais, concertos e shows e filmes em exibição nas salas de cinema de rua e dos shoppings centers. 
Na parte dos filmes, me recordo que uma presença sempre constante era a do diretor persa-iraniano Abbas Kiarostami. Via frames de seus filmes, sempre trazendo imagens belas e dramáticas do Oriente Médio, em uma época em que os Estados Unidos estavam encrencados tanto no Afeganistão quanto no Iraque. Eu, 14 ou 15 anos (talvez um pouco menos), conseguia fazer relações entre os filmes, que nunca assisti, desse diretor, com a situação geopolítica do Médio Oriente.
Ontem assistindo um filme dinamarquês de suspense policial (nada demais, mas gostei do silêncio nórdico, Departamento Q - Uma …

O real progresso

Hoje poucos pensadores seriam tão audazes a ponto de identificar o avanço material da civilização europeia moderna com o Progresso em seu sentido absoluto, pois agora nos damos conta de que a civilização pode prosperar externamente e dia após dia crescer mais e mais barulhenta e mais rica e autoconfiante, enquanto ao mesmo tempo apequena-se em vitalidade social e perde contato com suas tradições culturais mais altas.
          Do livro Progresso e Religião, de Christopher Dawson.

O que pode salvar o Brasil?

Uma intervenção militar? Não, a mentalidade do poder constituinte permanece a mesma.
Uma nova assembleia constituinte? Não, pois o mesmo problema persiste.
Alternativa: o Brasil é invadido e dominado por uma potência estrangeira, que lhe impõe um novo ordenamento jurídico. Chance de ocorrer: zero.
Alternativa 2: os estados do Brasil se separam e forma novas repúblicas independentes, cada uma por si e sem poder centralizado em Brasília. Chance de ocorrer: baixa, mas existente.
Ou seja, a secessão é a melhor das opções para o Brasil.