sábado, 21 de março de 2026

Curtas

 Aleksandr Dugin é um nome muito falado no meio conservador brasileiro. O debate que teve com Olavo de Carvalho, em 2011, sobre a Nova Ordem Mundial ressoa até hoje. Os comentaristas políticos falam em sua influência se estendendo até o Estado Maior brasileiro. Eu não duvido. Eu li esse debate. É um livrinho fácil de ser lido, embora a discussão seja cansativa pelos dois lados. Recentemente li outros livros sobre a influência da escola perenialista, da qual Dugin é um filhote indireto, na política. Entendo, assim como outros, que a sua relevância é inconteste. É um pensador que mistura escatologia, milenarismo e gnosticismo. Seria possível um tradicionalismo político paulista, nos moldes do modelo que Aleksandr Dugin pensou para a Rússia? Qual o papel teleológico que São Paulo tem no concerto da história das nações? Haverá uma escatologia política paulista?

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O Agente Secreto não é filme ruim. Diria que ele não é ruim não só em comparação com um filme brasileiro. Ter como panorama histórico algumas maldades genéricas da ditadura militar não é um problema. O Brasil teve uma ditadura militar. Eu gostaria que fizessem mais filmes mostrando os crimes da ditadura Vargas. É um assunto que precisa ser explorado. Mas, não me parece que a ideia que os autores tinham era vender a coisa como um filme a mais sobre o governo militar. A ideia é de um drama ambientado nesse contexto histórico. O filme tem méritos técnicos. Um Peugeot 206 também tem seus méritos técnicos, ainda assim, nem o filme, nem o carros são dignos de aplausos.

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Leio notícia que o deputado Hélio Lopes, vulgo, Hélio Negão, teria mudado seu domicílio do Rio de Janeiro para Roraima. A mudança indiscriminada de domicílio eleitoral, como hoje permite a legislação eleitoral, precisa ter um fim. Hélio Negão não conhece as necessidades e a realidade de Roraima, assim também o governador Tarcísio de Freitas não tem nada a ver com São Paulo, não tendo nenhum vínculo com a Pátria Bandeirante, ainda assim, o sistema aceitou que ele estabelecesse domicílio eleitoral, em 2022, na cidade de São José dos Campos, onde seu vice, Felipe Ramuth já tinha sido prefeito. Tudo combinado, é claro. A ideia de que um sujeito pode disputar uma eleição em qualquer buraco que não more reforça a ideia de que políticos devem ser sujeitos técnicos, um certo tipo de burocrata ou ser super esclarecido, pouco importando a sua origem. Discordo. Políticos devem morar no rincão que representam. Devem ter identidade com sua cidade e estado. O Brasil, que ama a regulação estatal, precisa regular melhor isso.

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Eu tenho medo de políticos que tenham visão modernizadora. Mais medo ainda tenho daqueles que mais que a visão tem a ação modernizadora. Na estação que passamos, devemos olhar mais para trás. O futuro é só tristeza. Precisamos evitar que ele chegue a todo custo.

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Lula agora está usando chapéu. Está querendo seguir o modelo do Aldo Rebelo? Aliás, a ideia de ter que votar no Aldo Rebelo, comunista e palmeirense, muito desagrada. Porém, nesta vida tereis aflições...

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Sempre achei que escola não é lugar para religião. Especialmente escolas públicas. Aliás, escola não deveria ser lugar para violência, mas é, não deveria ser espaço para quem não tem vocação mínima para o estudo, mas é, não deveria ser espaço para assédio, mas é. Não deveria ser espaço para um monte de coisas, mas é. A escola é tudo aquilo que ela não deveria nem poderia ser. 

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Em que ano essa história deve ter se passado? Eu estimo em 2008. Meu pai estava internado em hospital que foi fechado há mais de dez anos. Acho que estava com uma camisa cinza chumbo, a mesma que usei na foto da minha reservista. O velho tinha uma plêiade de doenças. Dessa vez a internação tinha a ver com o intestino. Me lembro que nessa internação eu dei banho nele com a mangueirinha da ducha higiênica do apartamento do hospital e que essa ducha parecia tão forte como uma Wap. Um dia, nesse período, minha tia resolveu visitar meu pai e eu fui junto por alguma razão. Essa minha tia é uma versão do Ronald Golias de saia, pelo sotaque paulista carregado e pela generosidade. Desse dia com ela eu ainda me lembro de algumas coisas: nós dois parados no ponto de ônibus central, do corredor, de um motoqueiro que foi abalroado na pista ao lado. Me lembro de ver alunos do cursinho do Objetivo saindo da aula. E me recordo que minha tia mexeu no meu cabelo e falou: "você está com cabelo duro, isso é coisa de preto". A fala não me causava surpresa nenhuma. Meu pai tinha a mesma fala dela, afinal, eram irmãos. De tanto lavar o cabelo com sabonete, meu cabelo ficou mais crespo. Depois, quando o dinheiro voltou a possibilitar que se usasse shampoos em casa, o cabelo alisou para o normal, novamente. Meu pai já foi há quinze anos. Essa minha tia nonagenária está aqui entre nós. É ótimo ter tias. E ter pai.



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