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domingo, 8 de fevereiro de 2026

A longa permanência militar.

Existem alguns cenários que são permanentes na história política do Brasil. O patrimonialismo, como estudou Raymundo Faoro, é um deles. Outro fato permanente dessa história é a influência da casta militar, por vezes nas sombras, por vezes na superfície da política. 

Um dos grandes nomes da ação militar sobre a sociedade e a política, o general Golbery do Couto e Silva, afirmou que "O Brasil é um país condenado à grandeza". O emprego da palavra "condenado" é corretíssima. Este é um país condenado, tal como é alguém que tem gigantismo ou elefantíase. Até agora esse paciente não pode ser curado dessa enfermidade. 

O general Oswaldo Muniz Oliva, Paulista de Santos, é pai do ex-senador e atual presidente do BNDES, Aloízio Mercadante. Seria muito curioso saber das discussões intelectuais, se é que elas haviam, entre o general e seu filho petista. Li que o general Oliva chegou a ser conselheiro militar do Lula. O livro não faz nenhuma crítica ao petismo. Nenhuma. E foi publicado em 2002, quando esse partido estava próximo de chegar à presidência da república pela primeira vez. Porém, todos já conheciam o poder destrutivo do PT, por suas gestões em prefeituras, como São Paulo, com a paraibana retirante Luiza Erundina e no governo do Rio Grande do Sul, com o indefectível Olívio Dutra.



Na análise geopolítica histórica da América Portuguesa, o general Oliva aponta para a relevância da bacia do Prata, como um enfoque que o Brasil precisou ter, para que não perdesse ascensão sobre essa região, considerando a influência dos demais países que tem esse país como sustento da sua vocação de poder, cito a Argentina, Uruguai e, menos, o Paraguai. Aqui a história completa nos oferece uma informação melhor: não é o Brasil um país da bacia do Prata, mas, São Paulo, pois desde o período dos Bandeirantes nós buscamos um intercâmbio com o vice-reino do Rio da Prata. Não era algo cabível falar em Brasil naquela altura. São Paulo existia e era reconhecido como um estado de per-si. O Brasil não. A ideia de um Brasil na bacia do Prata só faz sentido pós II reinado. Vejo que o problema da Cisplatina se deve também a isso, no fundo. O fim do bandeirismo fez com que as relações lusoamericanas com o Prata perdessem força. Lusoamericanas, leia-se Paulistas. Eram os Paulistas que tinham um excelente trato com os espanhóis e criollos. Se a América Portuguesa pretende se integrar ao Prata de verdade, precisa conceder autonomia para que São Paulo conduza soberanamente esse processo. Todas as bacias hidrográficas induzem à separação do Brasil. O general Oliva concordaria comigo. Os rios não permitem a integração regional, antes estabelecem divisas.

Essa longa permanência da influência politica dos militares poderia ser rastreada mais longe, mas, prefiro situá-la na Guerra do Paraguai. Este conflito foi a causa da verdadeira ruína do II Império. Sem a guerra, os militares não teriam obtido proeminência e destaque. E não teriam se irmanado com negros nas trincheiras. O sentimento de irmandade entre estes não teria se formado. Essa irmandade é um verdadeiro patriotismo de irmãos de arma. Sem esse cenário sentimental, a escravidão teria persistido mais ou os fazendeiros teriam tido mais forças para brigar pela manutenção do sistema escravista. O modelo econômico -- atrasado, aliás -- poderia ter persistido. Só São Paulo estava melhor preparado para enfrentar a necessidade de um novo modelo econômico, assentado na imigração e no trabalho assalariado, pois assim já vinha começando a fazer, considerando suas necessidades de mão de obra, frente à expansão da lavoura do café. A providência leva São Paulo sempre na vanguarda da transformação social. 

"Muitos fazendeiros, revoltados, expulsaram-nos das fazendas, Outros buscaram mantê-los pelo teto e pela comida. Outros pagaram-lhes algum salário como concessão. Na verdade, a maioria dos fazendeiros não estava preparada para a situação nova, tanto econômica quanto psicologicamente, à exceção da maioria dos fazendeiros paulistas, que, por seu governo, contratara italianos para a lavoura e já se acostumara com o pagamento da mão-de-obra rural." (pp.37)

Com a república, puderam os militares ocupar a presidência da república em várias ocasiões. A república, é preciso relembrar, nasceu como um golpe e uma ditadura militar. 1889, um golpe dado por Deodoro da Fonseca derrubou o decrépito imperador Bragança. Pós Deodoro, foi consolidada a república pelo alagoano Floriano Peixoto, o "marechal de ferro". Os militares, porém, sabem que apesar de serem uma constante no poder, ora ocupando ele diretamente por meio de cargos políticos, ora atuando nos bastidores, precisavam fornecer uma aparência de democracia, como o ocidente civilizado faz questão de cobrar do mundo. Foi a presidência passada aos fazendeiros, a elite econômica, que contou com a anuência dos militares para estar no poder. No fim, quem tem as armas nas mãos e tem o poder sobre a vida e a morte detém todo o poder possível, caso queira empregá-lo. Todos os demais poderes, econômico, midiático, judiciário, burocrático, é uma concessão da força bruta controlada. 

O estado brasileiro, especialmente, durante os períodos de ditadura, mas, é evidente, não só neles, soube operar psicologicamente, sobre a população por meio da comunicação de massas. Foi durante a ditadura de Vargas, com o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda e com a televisão durante da ditadura militar que o estado fabricou os elementos básicos da identidade brasileira, a chamada brasilidade. O samba, o futebol, a cachaça, a mulata, a miscigenação, a integração nacional, a queima das bandeiras, a obrigação de símbolos nacionais de forma sistemática, não natural ou orgânica. O que intelectuais civis e militares pensaram sobre a formação e construção da identidade nacional brasileira, o estado executou com excelência. A ideia de unidade nacional, eu considero, é a suprema razão de ser das forças armadas brasileiras. 

Este livro do general Oliva é muito bom. No que se propõe a tratar de análise e propostas é factível e realista. Só não é realista ao ignorar o PT na história. Livro publicado em 2002, cita no final a Rodésia como possível parceiro internacional do Brasil. Talvez seja um apanhado de coisas escritas ao longo de sua carreira. Talvez seja só confusão. Não saberemos a resposta. Mas, ignorar o petismo tem explicação. Esse seria o primeiro general do petismo ou tivemos outros que eu ainda não conheci? Bom, relembremos que exista quem diga que o Lula é uma cria do Golbery para queimar o Brizola. Me parece que o Brizola cria nisso, mesmo que tenha sido vice na chapa do sapo barbudo, em 1998.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Oliveira Viana sobre a constituição de 1891. Alguns comentários.

 Francisco José de Oliveria Viana foi um jurista, sociólogo e pensador fluminense, cuja relevância na discussão sobre o caráter da formação e constituição do Brasil não pode jamais ser diminuída. Está no mesmo patamar, embora seja menos lido e menos estudado, do que Sérgio Buarque de Hollanda ou Gilberto Freyre, ou ainda do ilustre Alfredo Ellis Júnior, esse ainda menos conhecido, lido e estudado. 

"O Idealismo da Constituição" é apontado como um texto fundamental do autor para compreender sua análise sobre a república no Brasil. É um texto composto integralmente de críticas ao republicanismo no Brasil, à forma como ele foi adotado e, sem apontar para um modelo ideal, muito embora fosse O. Viana um monarquista. 

Inicia comparando a fortaleza da formação e do preparo dos titulares do império, cuja política reunida na representação dos Partidos Liberal e Conservador eram muito superiores aos homens que vieram a fazer a república e a compôr a sua classe dirigente. Se há fraqueza nos representantes da república há fraqueza também no próprio modelo republicano, liberal, constitucional e federal que foi importado e aplicado aqui. Os vícios da república, cristalizados na constituição de 1891, são as cópias do modelos prontos do democracismo francês, do liberalismo inglês e do federalismo americano. Não é preciso dizer mais nada a respeito, é nítida a posição de completa oposição do autor ao novo regime e suas inspirações.

Oliveira Viana é um autor que raciocina em termos de elite e a coloca como sendo a força única capaz de conduzir um processo histórico, nunca a obra coletiva de uma classe social, senão de uma elite, um grupo de escol. Compartilhamos com ele essa mesma opinião.

Trazer para o Brasil os modelos políticos estrangeiros, que não seriam adaptados aos hábitos e costumes da população brasileira, nem próprios para sua formação, teria sido um erro. Trazer a democracia republicana que pressupunha um regime assentado sobre a formação de uma opinião pública em um país de analfabetos sem instituições que possam consubstanciar essa opinião pública é formalizar um grande faz de contas. 




quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Ser súdito de si mesmo

 Não existiu na história do Ocidente sistema político social mais estável que o feudalismo. Tudo o que veio depois foi o mais completo caos, resultado de crenças religiosas espúrias, milenaristas e messiânicas. As pessoas buscam líderes políticos capazes de resolver tudo com um toque mágico. Líderes políticos que vão criar uma terra sem males. O líder político não é mais um homem, mas uma divindade com um séquito de fieis que espera ver milagres ocorrendo como nos tempos bíblicos. O messianismo político é uma doença social gravíssima. Há países de terceiro mundo que foram além e conseguiram superar uma política baseada apenas em tiranos e tiranetes, mas que permaneceram igualmente corruptos, talvez até mais do que outros países que seguiram líderes populistas. O México é o melhor exemplo. Entra presidente, sai presidente o Partido Revolucionário Institucional (partido maçônico) continua no poder. Nenhum presidente mexicano, por mais carisma que tenha, acabou por se tornar figura política maior do que o partido. Nem quando o presidente foi de outras legendas como na época de Fox (PAN) e agora do López - Obrador (MORENA), O PRI foi desalojado do poder. 

Vejam o caso desse malfadado país reconhecido por Brasil. Vários atores chamam para si o peso de ser o poder moderador da república, os militares, o judiciário, o senado, a imprensa, a sociedade, mas, sabemos que quando é chegada aquela hora amarga, de trazer as coisas para o velho balanço que não desagrade as nossas elites dominantes, o poder moderador é exercido pelo estamento burocrático, composto por representantes de todos os setores de nossas elites. É o MDB em ação. Ele é a condensação de toda a elite do Brasil. Essa elite não espera outra coisa senão conservar os seus privilégios, suas boquinhas, suas condições de poder. É a elite do funcionalismo, a elite da Faria Lima e Berrini e a elite do agro. Todos são pop e tech! O Brasil, lamentavelmente, indo além dos males que assombram o México, compartilha não só a característica de ter se tornado um narcoestado e de ser controlado por uma elite absolutamente predatória e cretina, temos o privilégio de termos uma abundância de candidatos ao posto de líder messiânico da nação. Bolsonaro, Moro, Joaquim Barbosa, Lula, Collor, Jânio, Getúlio, Conde D'eu, todos tiveram suas (ou ainda tem) pretensões messiânicas e redentoras, de liderar esse quinto império que é a América Portuguesa. Todos fracassados pela natureza do próprio país e de sua própria sociedade, que espera um líder que represente e simbolize um grande sentimento de esperança, de libertação do povo e desenvolvimento do país, ao mesmo tempo em que deixe todos os caminhos do estado abertos e livres para que os donos do poder possam continuar tendo as suas aberturas majoritárias ao erário público.

Por favor, você pobre atormentado que agora lê esse texto, se você é brasileiro, abandone já essa ideia. Seja cidadão de sua própria pátria e súdito de si mesmo. 

sexta-feira, 31 de julho de 2020

A receita para se governar o Brasil

Existe uma receita totalmente pronta, já testada, sobre como o Brasil deve ser governado. 
Aquele que tentar uma outra fórmula será engolido vivo pelo sistema que domina o país.

Não há nenhum modelo alternativo para governar o Brasil. Só um modelo existe. Só uma fórmula.



Primeiro, nunca tente enfrentar o congresso. Ele vai brigar, brigar e te colocar contra as cordas. Pode você ser o Mike Tyson, mas haverão centenas de Maguilas para te espancar. Herói sozinho nenhum consegue vencer esse bando. 

Segundo, arreganhe as pernas dos ministérios, estatais e autarquias para os afilhados políticos do centrão. Dê a eles tudo o que quiserem.

Terceiro, mantenha um bom acordo com o Supremo Tribunal Federal. Evite ao máximo enfrentá-lo.

Quarto, não mexa com a Polícia Federal.

Cinco, não seja ideológico. Algum palavrório a mais para a plateia é de bom tom, afinal, as pessoas ainda vão precisar de algum estímulo para votar novamente.

Seis, não brinque com a economia com fórmulas econômicas muito restritivas ou muito expansivas. Nem a heterodoxia, nem a ortodoxia. Nem Chicago, nem Londres. O caminho entre a social democracia e o liberalismo social é a única coisa que o Brasil pode suportar. Muito mais à esquerda e ao welfare state o país quebra e muito liberalismo à direita rompe o tecido social. 

Sete, dê dinheiro para o povo em forma de vouchers. É a melhor e mais eficaz maneira de se comprar votos.

Oito, mantenha as forças armadas de boca fechadas, mantendo-os ocupados com seus brinquedos caros (aviões, armas, carros de combate, navios, submarinos) e deixando a sua integral aposentadoria intocada.

Nove, mantenha a imprensa com o bico calado. Não faça inimigos na imprensa. Dê entrevistas simples, que pouco falam à quem tem neurônios. Responda cordialmente a todos os repórteres mais imbecis e torpes. Gaste fortunas do dinheiro público com publicidade em emissoras de rádio, tv, jornais, revistas e internet. Também processe e esmague na justiça todo e qualquer dissidente da midia.

Dez, seja demagogo, seja populista. Fale com a língua suja do povo simples. Seja humilde e simples com os humildes. Seja simpático com a elite e tire dela os maiores recursos para o estado, colocando todo gerador de riquezas contra a parede, sempre sem perder o sorriso amarelo e hipócrita.

Onze, puxe o saco do nordeste. A população famélica vota com o estômago e com a imagem de um líder paternalista, na qual ela enxergue segurança. Também os mafiosos coroneis nordestinos (e nortistas) costumam controlar a política nacional no Congresso.

Doze, e por último, crie uma falsa oposição contra você mesmo e busque manter o poder político sempre em consórcio com esse grupo. Trabalhe incessantemente contra o surgimento de qualquer grupo opositor autêntico, na esquerda e na direita.

Essa é a receita para controlar o Brasil eternamente. Passa ano e sai ano, entre presidente e sai presidente a situação política é sempre a mesma. Para governar fora disso só com ditadura bruta, a céu aberto, coisa que nunca mais se verá no Brasil, pois as nossas elites querem mais é manter esses doze passos para sempre.

sábado, 9 de junho de 2018

Nossa república sempre será uma velha república

Não tenho medo de afirmar que desde os protestos de 2013 o Brasil não é o mesmo. Não estou aqui fazendo nenhum juízo de valor, antes atestando um fato. Não consigo, também, encontrar nenhum paralelo destes cinco anos com nenhum período da história republicana. Todavia, em grupos privados, tenho exposto o meu receio de que o momento que temos passado seja semelhante ao da Primeira República (1889-1930), quando chegava em seus estertores. Uma fração das elites brasileiras, naquele momento, achou por bem "fazer uma revolução antes que o povo a fizesse". 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior intelectual vivo dentro da esquerda nacional, já apontou para as circunstâncias em que passamos hoje serem aquelas típicas de momentos pré-revolucionários. Há que se lembrar ainda que o Brasil não passou por uma "revolução burguesa", como ocorreu na Europa e nos Estados Unidos. A Revolução (golpe) de 1930 foi tramado pelos militares em comunhão com uma elite dissidente, mas que compartilhava até então do poder e cujo projeto político em nada se diferenciava de seus adversários reais. Não havia uma burguesia para que uma revolução real ocorresse e, sendo assim, essa jamais de completou totalmente. 

Hoje, como na Primeira República, há suspeitas de fraudes eleitorais. Há também candidatos que procuram se mostrar como limpos e desligados das velhas e carcomidas elites tradicionais. Há também um certo histerismo com um fantasma sem contornos claros da esquerda. E, por fim, um senso de que é preciso "salvar a república". Essa é uma conversa antiga. A história se repetirá, mais uma vez, como farsa? Torço para que ela não se repita.

sábado, 10 de junho de 2017

Uma reforma do Brasil não é suficiente

Desde a independência, ou seja, do nascimento do Brasil como país, diversas discussões tomaram conta do diálogo nacional, empreendido pelas chamadas classes falantes.

Nossas elites já debateram sobre a escravidão, sobre monarquia e república, sobre o estado laico e confessional, sobre a repartição dos poderes e sobre a organização da divisão do estado brasileiro. Sempre se discute e se chega a alguma conclusão, cujo resultado não costuma apresentar mudanças profundas nas velhas estruturas do país.

Reputo a proclamação da república como o maior fato da história do Brasil país. A perspectiva que se abriu com o fim da monarquia foi a de que alguma mudança real poderia vir a ser empreendida. Não que essas mudanças realmente acontecessem, mas com a mudança da forma de governo uma abertura ocorria para que mais transformações pudessem ocorrer.

Bons tempos aqueles do fim do século XIX onde os cafeicultores Paulistas, os estancieiros gaúchos e os militares discutiam sobre a forma de governo do país e também sobre a melhor forma de estado.

Vejo que o debate que falta ser levado, no mesmo ritmo, na mesma toada que era feito na época em que a república foi proclamada, é a respeito da forma de estado no Brasil. Vivemos um modelo de federalismo absolutamente truncado, cuja base da pirâmide está invertida e o poder total concentrado no poder central.

A reformatação do país é a mãe de todas as reformas e a única que seria capaz de parir um ciclo longevo de estabilidade. Dizer que o Brasil de hoje não é federalista me parece equivocado. Temos um tipo peculiar de federação, misto de modelos copiados de alhures. Não nos basta. Precisamos de um federalismo liberal de tipo americano, na pior da hipóteses, ou de uma confederação no mais ideal dos cenários.

Descentralizar totalmente o poder político e econômico. Dar peso e significado real à palavra cidadania, como verdadeira participação do indivíduo das decisões importantes de sua terra. 

O Brasil é um país plurinacional e não há saída para que ele se mantenha unido a não ser que se dê liberdade plena para que as nações que o constituem possam, cada uma, de maneira democrática, definir qual é o melhor rumo que deva seguir. Cada estado uma nação e cada nação uma solução. As reformas que emperram hoje o desenvolvimento dessa grande América Portuguesa só podem ser feitas no âmbito dos estados. Brasília é incapaz de conduzir reformas que sejam agradáveis a todos. Primeiro se reformata o país e a seguir parte-se para as reformas, uma a uma, como se faz com os cômodos de uma grande casa.

terça-feira, 11 de abril de 2017

A Lava Jato não conseguirá mudar o Brasil

Quem estuda a História do Brasil sabe que todo o tipo de mudança já foi aplicada na política desse país: monarquia e república, república velha, nova e novíssima, ditadura civil e militar, sociólogo e operário. Todas as alternativas um dia aqui já foram um dia aplicadas e se mostram um completo e irrestrito fracasso.

O PT tem em sua história três grandes escândalos: o primeiro a morte de Celso Daniel, ocorrida em circunstâncias ainda não esclarecidas, passadas quase duas décadas; na sequência temos o Mensalão e, por fim, o Petrolão. São esses dois últimos que cabe aqui fazer uma interpretação mais específica.

Em comum tanto no Mensalão quanto no Petrolão está  figura do papel que o poder judiciário vem desempenhar nesses dois escândalos. Joaquim Barbosa foi o primeiro a encarar o personagem de vingador negro a defender a ética, contra um sistema corrupto, quase como Batman em Gotham, ao enfrentar seus adversários. Hoje, com a Lava Jato, quem é o Harvey Dent do Brasil é o paranaense Sérgio Moro.

O povo, incitado pela mídia e pelas redes sociais, passa a acreditar nesses indivíduos, como sendo portadores de toda a luz e toda a verdade. Enxergam na República de Curitiba uma esperança de que esse país venha finalmente deixar de ser o eterno país do futuro, de um futuro que nunca chega. O povo precisa desses heróis que representem a luta eterna dos bons contra os maus, daquele que não só represente isso, mas que na prática sejam eles mesmos, a própria encarnação da ética e do bem.

É lamentável, mas a verdade histórica mostra que esse comportamento é enganoso. O indivíduo cria expectativas patrióticas com a esperança de que um, finalmente, esse país possa um dia deixar esse seu lodaçal no qual chafurda desde sempre. 

Não há ou haverá juiz, promotor, político, padre ou pastor, ser humano qualquer capaz de fazer com que esse país possa realmente andar para a frente, deixar para trás esse mar de pecados que condenam esse país à perdição. Haveria que mudar o próprio povo, coisa que não é possível, logo, como uma sina, esse país caminha para sucumbir e ser esquecido pela história.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Grande comentário sobre o atual estado do brasileiro I

Acho um tanto triste que o vocabulário máximo de elogio dos brasileiros de hoje seja "foda" ou "do caralho", porque obviamente há algumas coisas no mundo que esses elogios não alcançam. Também paramos de acreditar na existência de pessoas más, e só acreditamos em "babacas"; "O Mal" não existe, mas a babaquice sim (no máximo, acima do babaca acreditamos na existência de "filhos da puta"). Mas trocar a crença na existência da luta entre Bem e Mal pela da luta entre coisas do caralho versus babacas e filhos da puta - acho triste. É muita perda da visão da grandeza do mundo.

Alexandre Soares Silva

sábado, 22 de dezembro de 2012

Medianismo


Existem situações durante uma conversa que fogem à urbanidade comum. 

Muito fala-se que política e religião são coisas que não se discutem. Evidentemente essa é uma posição típica para um cobrador de ônibus, uma recepcionista, um açougueiro, um professor de matemática mal formado, embora existam exceções. Esse ponto de não se discutir esses dois temas é típico dos modelos humanos médios.

Há muitos anos que escrevo em meus blogs sobre esse tipo de posicionamento.

No Brasil, um discurso ganha validade apenas, para a extensa maioria das pessoas, apenas quando um suposto especialista, com um diplominha de alguma faculdade pública, que dificilmente sabe alguma coisa que faça referência com a realidade, fala. Em boa parta das vezes esse diplomado é também pertencente aos tipos de opinião mediana.

E aí que a coisa pega no Brasil: o especialista é lugar comum. Está no lugar certo então, já que a plateia jamais irá discordar dele. Pensam igual.

Poderia-se pensar: ótimo! que grande cenário! o cidadão comum tem o conhecimento de um intelectual! É, mas é justamente aí que está o problema: quatro ou cinco anos de faculdade no Brasil só servem para chancelar aquilo que o sujeito já sabe quando entra na faculdade. A universidade no Brasil é o cartório do conhecimento.


Parece time de futebol que não paga os jogadores, como o Flamengo de uns anos atrás, quando o célebre Vampeta afirmou: "Eu finjo que jogo bola e o Flamengo finge que me paga".

Aquele que se acha intelectual no Brasil pensa que sabe e o povo pensa que entende.

E ficamos nisso. É a eterna masturbação lugar comum. A cultura intelectual no Brasil se não é inexistente é no mínimo esquizofrênica, dando voltas no próprio rabo, como cão velho.

Pessoalmente, tenho dificuldade com esse "intelectuais" medianos-medíocres que não conseguem desenvolver um raciocínio minimamente coerente. Não sou Aristóteles ou Scheler, mas ainda tenho algum juizo. Como dizia Mário Ferreira dos Santos sobre discussões:

“Evita as longas discussões, sobretudo com pessoas dispersas, que juntam argumentos sobre argumentos, sem ordem e sem disciplina, misturando juízos apenas de gosto com algumas pseudo-idéias mal-formadas e mal-assimiladas. Evita essas discussões que não são em nada benéficas. Se não for possível conduzir o colóquio com alguém em boa ordem, segundo boa lógica, cuidadosa e organizada, é preferível que te cales. Sempre sê disciplinado no trabalho mental. Essa é a regra importante, e nunca ceder às vagabundagens do pensamento em conversas diluídas, dispersas, em que se fala de tudo e não se fala de nada.”

terça-feira, 8 de março de 2011

Dois países


Autor: J.R. Guzzo

O Brasil, como o governo nos informa há pelo menos oito anos, tem políticas culturais que causam inveja ao resto do mundo. Também está entre os melhores do planeta, conforme acaba de atestar o ministro de Minas e Energia, o Sistema Brasileiro de Produção e Distribuição de Energia Elétrica. Todos sabem que o Brasil dispõe do maior, melhor e mais admirado programa de ajuda aos pobres jamais visto sobre a face da Terra. São incomparáveis, igualmente, os benefícios que a população recebe em troca do dinheiro que entrega ao Fisco – o ex-presidente da República, a propósito, chegou a dizer em público que tinha “orgulho” dos impostos do Brasil e que um país só é desenvolvido se tem imposto alto. Somos abençoados, na verdade, até onde menos se espera. Jamais alguém poderia adivinhar, por exemplo, que o atendimento na rede pública de saúde é amplamente aplaudido pela população em geral; mas é justamente isso que nos revela um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, repartição estatística do governo federal que já descobriu, em pesquisas anteriores, que se paga pouco imposto no Brasil, o número de funcionários públicos é modesto e outros prodígios do mesmo porte.

O que mais? É melhor ir parando por aqui, pois esse tipo de lista vai longe. Mas é certo que isso tudo mostra, mais uma vez, as diferenças que existem entre o Brasil dos que governam e o Brasil dos que são governados. No Brasil dos governantes, festeja-se a excelência das “políticas públicas” para a cultura; no Brasil dos governados, há goteiras nos museus e cupins nas bibliotecas. No Brasil dos que governam, o último apagão de energia foi atribuído pelo ministro da área não a possíveis carências no sistema, mas a um probleminha bobo com a parafusem da cabecilha, ou algo parecido – coisa à toa de mecânica que não precisa preocupar ninguém. No Brasil dos que são governados, e no qual, para orgulho do ex-presidente, se pagam 45% de imposto sobre o montante de cada conta de luz, a energia simplesmente acaba. As diferenças entre esses dois países, um onde se manda e se cobra, outro onde se obedece e se paga, não são apenas uma curiosidade brasileira; têm consequências práticas, e aí se pode ver a segunda parte do problema. Um governo cada vez mais satisfeito consigo mesmo, que acredita na própria-propaganda e se informa sobre o Brasil lendo jornais ingleses e tomando como verdade qualquer elogio que receba em alguma língua diferente do português, está seriamente empenhado em arrumar confusão. Acostuma-se, entre outras coisas, a conviver em paz com sua incapacidade de execução. Enquanto a China, nos últimos sete anos, construiu 100.000 quilômetros de autoestradas e pôs em funcionamento 8 000 quilômetros de sua rede de trens de alta velocidade, para ficar só em exemplos da área de transportes, o Brasil federal não foi capaz de entregar um único metro de uma ou de outra coisa. A arrecadação total de impostos, em 2011, vai para mais de 1 trilhão de reais, mas o aeroporto principal da maior cidade do país até hoje não tem uma terceira pista, centenas de quilômetros de rodovias são descritos pelo próprio governo como “intransitáveis” e brasileiros continuam morrendo, a cada ano, por falta de obras de defesa contra acidentes naturais.

No problema diriam os jornais e revistas que deixam Brasília tão encantada. Talvez tenham razão. O problema é só de quem paga essa fatura.

O governo Dilma Rousseff mal completou dois meses e já tem um belo escândalo no prontuário: o Ministério do Esporte, privatizado alguns anos atrás em favor do Partido Comunista do Brasil, entregou algumas dezenas de milhões de reais a “ONGs” de militantes, amigos e conexos ou a empresas-laranja ligadas a elas, em troca de obras ou serviços que não foram feitos, ou foram feitos mal e porcamente. Nada de muito original, claro, mas quem sabe não haveria aí uma janela de oportunidade para a nova presidente? A oportunidade seria tomar partido, desde já e enquanto é tempo, contra a transferência de dinheiro público para os bolsos privados da “militância” – e avisar que não haverá lugar, em seu governo, para quem se mete nesse tipo de complicação. A alternativa é fingir que não está acontecendo nada de mais e esperar que o barulho passe. Foi o caminho escolhido por seu antecessor, com o resultado que se sabe: começou com Waldomiro Diniz, foi piorando e acabou em Erenice Guerra.

A cobra botou o seu ovo no governo Dilma. Se ele for deixado à vontade, só vai resultar em mais cobra.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Deus não permite a iniquidade

E fatalmente julgará esta terra.
Vejam este vídeo, onde um pastor batista de Curitiba, faz um importante alerta contra a iniquidade que está prestes a se tornar institucionalizada neste Brasil, que outrora fora de meu Deus.



On Youtube

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Belo país esse não?

GAROTO TEM O CORPO RECHEADO DE AGULHAS POR PAI,TUDO EM NOME DA MAGIA NEGRA.



É bom viver nesse país, onde as pessoas estão totalmente cegas por uma suposta liberdade adquirida com esse também suposto estado democrático de direito, que em nada além da desgraça, das maldições e da infelicidade tem levado o seu povo ? É normal que um pai perfure seu filho e encha-o de agulhas para rituais de macumba ? É óbvio que não, mas então porque a sociedade deixa que este tipo de "culto religioso" seja realizado e digo mais seja promovido. A naturalidade da inocência do pensamento acharia completamente absurdo em pleno século XXI existir ainda quem pratique estes rituais, mas infelizmente isso não irá acabar nunca na Terra, pode ser minimizado ao não ser promovido e ao ser reprimido, não só a bruxaria, mas como todo a cultura afim desses rituais, ou será que vocês querem ver mais crianças sendo recheadas de agulhas, correndo enorme risco de pereceremem nestes holocaustos em nome de Satanás ?

As vezes parece-me que a sociedade "brasileira" gosta disso. É uma coisa que o "Zé povinho" comenta com estrangeiro espertão, parece ter orgulho de ser o país da macumba. Agora nessa semana tem pipocado na mídia casos de outras pessoas que passaram por ritual semelhante. Isso mostra o quanto este tipo de valorização da cultura Afro no Brasil tem sido meticulosamente incultada. Peraí, quem foi que construiu as mais pujantes sociedades do mundo ? Quem fez as grandes navegações ? As grandes descobertas científicas ? Pelo que me consta não foram feitas na África. Nem também nunca houve registro de alguma Roma perdida neste continente. Então porque cargas d'água tanta gente tem fetiche com a cultura africana ? Nada contra os negros, aqueles negros que sabiamente aderem a cultura Cristã ocidental e abandonam as práticas tribais africanas.

Ainda sobre "negritude" recomendo este texto.

Por favor não me taxem de Nazista. Não sou, nem tampouco racista, apenas não tenho fetiches com macumba.

Grosser Gott wir loben Dich