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domingo, 24 de maio de 2020
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Minha decepção com Olavo de Carvalho
Se um dia esse meu relato chegar aos olhos e ouvidos do jornalista e filósofo Olavo de Carvalho, acredito que a reação dele será, como foi com vários outros que, em algum momento, resolveram peitá-lo, tirar uma farinha com o velho: ser qualificado como alguém sem preparo, sem formação, incapaz de compreender o que ele diz e por fim um filho da puta, com direito a receber algum apelido jocoso, baseado no seu nome (qual viria a ser o meu apelido?).
Olavo já está na história intelectual do Brasil. Ele é o responsável por dar força ao movimento de resistência ao pensamento de esquerda neste país e por tirá-lo da fossa, desde a década de 1990.
Responsável maior ainda por popularizar o conceito de conservadorismo no nosso meio e por diferenciá-lo, finalmente, do liberalismo. Ao colocar uma ênfase especial sobre o papel da religião na sociedade ele realocou a direita no eixo moral, retirando o debate do campo material-econômico, que a esquerda domina e, por isso mesmo, acabou arrastando os liberais para este espaço, onde perdem, não por não terem razão, mas por não terem armas distintas das dos socialistas para poder enfrentá-los. No Brasil, colocar os problemas morais como centrais no debate político, é obra de Olavo de Carvalho.
Nossa matriz religiosa é cristã. Originalmente católica, nossa sociedade está passando por transformações importantes e irreversíveis, onde, a cada dia, o protestantismo, sobretudo o carismático e pentecostal vem ocupando um vácuo deixado pela corrupção moral e de atitudes da maior parte dos setores da Igreja Católica.
O protestantismo no Brasil poderá vir a desempenhar um papel de reordenador da sociedade, mudando valores e sentimentos de nossa sociedade, revalorizando a ética do trabalho, da responsabilidade individual, da solidariedade entre irmãos, do espírito comunitário e gregário. O catolicismo brasileiro, por ser sincrético desde que por aqui chegou, quando os jesuítas começaram a adaptar o catecismo para ensiná-lo aos índios, foi o principal responsável por não termos nesta terra valores morais mais saudáveis. A decadência da ICAR no Brasil é inegável e Olavo não nega isso.
Contudo, a atitude do pensador e de seus alunos, convertidos em discípulos que espalham pela internet a sua palavra, é de total repulsa ao protestantismo, de difamação dos reformadores, como Lutero e Calvino e a pregação de um desrespeito e hostilidade para com os protestantes.
Nunca esperei que ele, como católico, fosse abandonar as suas convicções religiosas, mas que, como intelectual público, agisse como C.S. Lewis, procurando o mínimo de comum que há nas tradições eclesiásticas cristãs, afinal, nosso inimigo é comum: o mundo moderno, o ateísmo, o socialismo, o humanismo, enfim, o Diabo.
Ao atacar o protestantismo e aprofundando a enorme divisão já existente entre evangélicos e católicos, Olavo faz o serviço do inimigo. Por essa atitude impróprio com relação à religião é que eu deixei de acompanhar o que ele publica em sites e em redes sociais. Isso não impede que livros como A Nova Era ou o Futuro do Pensamento Brasileiro não devam ser lidos. Devem! É preciso ler e DEBATER o que ele defende e propõe. Não importa se a reação dele será a mais grosseira possível. Um ser humano pode ser mal educado e mesmo assim falar coisas sensatas. Os homens sempre falam coisas sensatas num momento e mares de boçalidades em outro. Temos que separar o joio do trigo, mesmo que isso cause reações destemperadas.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Uma galhofa hiponga
por Olavo de Carvalho
Momentos inesquecíveis:
O dr. Müller tratando um hippie com depressão. A primeira sessão durou menos de um minuto:
-- Corte o cabelo e tome banho ou não me apareça mais aqui.
Segunda sessão:
-- Volte na semana que vem de terno e gravata.
Terceira Sessão:
-- Não me volte aqui se não tiver arrumado um emprego.
Na quarta sessão só o paciente falou:
-- Doutor, nunca estive tão feliz.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Nacional Bolchevismo
Retirado do site do Olavo“Os nacional-bolcheviques… aceitam absolutamente e sem reservas a visão dualista de Popper e estão totalmente de acordo com a sua classificação. Mas, em contrapartida, consideram-se eles próprios os inimigos convictos da ‘sociedade aberta’… Eles rejeitam de uma maneira absoluta a ‘sociedade aberta’ e seus fundamentos filosóficos, isto é, o primado do indivíduo, o valor do pensamento racional, o liberalismo progressivo social, a democracia igualitarista numérica atômica, a crítica livre, a Weltanschauung cartesiana-kantiana…”
Não sei nem o que pensar, juro.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Uma estratégia conservadora
Do Facebook do Olavo:
"Marcia Regina Ferreira pergunta:
Eu gostaria de saber, do Olavo Carvalho, a quem muito prezo e admiro o discurso inteligente, na opinião dele, como deveria ser feito.
Resposta:
Não tenho fórmula pronta, mas a experiência histórica mostra que a formação dos grandes movimentos políticos obedece a uma seqüência mais ou menos imutável. (1) Iniciativas intelectuais isoladas; (2) Organização dos intelectuais numa rede de debates, que podem prosseguir por muito tempo sem nenhuma ação política propriamente dita; (3) Aglutinação de recursos financeiros; (4) Adestramento de militantes; (5) Conquista, criação e ampliação dos meios de ação; (6) Criação de um Estado Maior para discussão estratégica e tática (o Foro de São Paulo é isso); (7) Desencadeamento de ações; (8) Manutenção do controle e revisão permanente das estratégias e táticas à luz dos resultados obtidos.
Como você pode ver, nossos iluminados políticos e empresários conservadores não estão sequer à altura de participar do capítulo 1.
Agradeço à Márcia a iniciativa de fazer uma pergunta tão oportuna."
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Ideologia Nacional
"A unificação política e administrativa do mundo não beneficiará o liberalismo, mas o extinguirá para sempre, instituindo a "Terceira Via". Que é a Terceira Via? É aquela síntese de capitalismo e socialismo que, resguardando a liberdade de movimento para as grandes empresas que apoiam o governo, planeja, controla e determina tudo o mais. Essa síntese não é nova. Surgiu na década de 20 e se chama fascismo. Naquela época o fascismo era coisa de escala nacional. Hoje querem fazer um fascismo mundial e, para disfarçar, fazem campanhas alarmistas contra os remanescentes do fascismo old style, como Le Pen e o Dr. Enéias, os mais autênticos bois-de-piranha da boiada universal. Para enfrentar o governo mundial é preciso criar um novo nacionalismo, liberal, democrático, inteligente, capaz de tomar parte no jogo da globalização sem deixar que transformem nosso país numa província ou numa colônia de férias para turistas sexuais. E para isso é preciso resistir ao maquiavélico jogo duplo que, de um lado, exaltando falsamente o liberalismo, tudo submete a um planejamento global e, de outro, incentivando maliciosamente reivindicações socialistas malucas e toda sorte de ressentimentos doentios, divide o povo, desorienta os intelectuais, debilita o Estado brasileiro e nos deixa, a todos, à mercê do poder multinacional. "
Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Homens de geléia
Cristo, Nosso Senhor, disse: "Quem comigo não
ajunta, espalha", e disso podemos tirar um exemplo para nossa ações:
quantos espíritos de geléia existem neste meio político que vivemos,
quantas pessoas incapazes de debater e discutir, e incapazes de aglutinar
forças em torno de uma causa comum, seja o separatismo, seja o
conservadorismo. Com tantos males nos rodeando, ficaremos trocando tapas
em família?
(Pequeno pensamento inspirado nos conselhos de OdC.)
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O orgulho do fracasso
O orgulho do fracassoOlavo de Carvalho
O Globo, 27 de dezembro de 2003
“O world, thou choosest not the better part!”(George Santayana)
Língua, religião e alta cultura são os únicos componentes de uma nação que podem sobreviver quando ela chega ao término da sua duração histórica. São os valores universais, que, por servirem a toda a humanidade e não somente ao povo em que se originaram, justificam que ele seja lembrado e admirado por outros povos. A economia e as instituições são apenas o suporte, local e temporário, de que a nação se utiliza para seguir vivendo enquanto gera os símbolos nos quais sua imagem permanecerá quando ela própria já não existir.
Mas, se esses elementos podem servir à humanidade, é porque serviram eminentemente ao povo que os criou; e lhe serviram porque não traduziam somente suas preferências e idiossincrasias, e sim uma adaptação feliz à ordem do real. A essa adaptação chamamos “veracidade” -- um valor supralocal e transportável por excelência. As criações de um povo podem servir a outros povos porque elas trazem em si uma veracidade, uma compreensão da realidade -- sobretudo da realidade humana --que vale para além de toda condição histórica e étnica determinada.
Por isso esses elementos, os mais distantes de todo interesse econômico, são as únicas garantias do êxito no campo material e prático. Todo povo se esforça para dominar o ambiente material. Se só alguns alcançam o sucesso, a diferença, como demonstrou Thomas Sowell em Conquests and Cultures, reside principalmente no “capital cultural”, na capacidade intelectual acumulada que a mera luta pela vida não dá, que só se desenvolve na prática da língua, da religião e da alta cultura.
Nenhum povo ascendeu ao primado econômico e político para somente depois se dedicar a interesses superiores. O inverso é que é verdadeiro: a afirmação das capacidades nacionais naqueles três domínios antecede as realizações político-econômicas.
A França foi o centro cultural da Europa muito antes das pompas de Luís XIV. Os ingleses, antes de se apoderar dos sete mares, foram os supremos fornecedores de santos e eruditos para a Igreja. A Alemanha foi o foco irradiador da Reforma e em seguida o centro intelectual do mundo -- com Kant, Hegel e Schelling -- antes mesmo de constituir-se como nação. Os EUA tinham três séculos de religião devota e de valiosa cultura literária e filosófica antes de lançar-se à aventura industrial que os elevou ao cume da prosperidade. Os escandinavos tiveram santos, filósofos e poetas antes do carvão e do aço. O poder islâmico, então, foi de alto a baixo criatura da religião -- religião que seria inconcebível se não tivesse encontrado, como legado da tradição poética, a língua poderosa e sutil em que se registraram os versículos do Corão. E não é nada alheio ao destino de espanhóis e portugueses, rapidamente afastados do centro para a periferia da História, o fato de terem alcançado o sucesso e a riqueza da noite para o dia, sem possuir uma força de iniciativa intelectual equiparável ao poder material conquistado.
A experiência dos milênios, no entanto, pode ser obscurecida até tornar-se invisível e inconcebível. Basta que um povo de mentalidade estreita seja confirmado na sua ilusão materialista por uma filosofia mesquinha que tudo explique pelas causas econômicas. Acreditando que precisa resolver seus problemas materiais antes de cuidar do espírito, esse povo permanecerá espiritualmente rasteiro e nunca se tornará inteligente o bastante para acumular o capital cultural necessário à solução daqueles problemas.
O pragmatismo grosso, a superficialidade da experiência religiosa, o desprezo pelo conhecimento, a redução das atividades do espírito ao mínimo necessário para a conquista do emprego (inclusive universitário), a subordinação da inteligência aos interesses partidários, tais são as causas estruturais e constantes do fracasso desse povo. Todas as demais explicações alegadas -- a exploração estrangeira, a composição racial da população, o latifúndio, a índole autoritária ou rebelde dos brasileiros, os impostos ou a sonegação deles, a corrupção e mil e um erros que as oposições imputam aos governos presentes e estes aos governos passados -- são apenas subterfúgios com que uma intelectualidade provinciana e acanalhada foge a um confronto com a sua própria parcela de culpa no estado de coisas e evita dizer a um povo pueril a verdade que o tornaria adulto: que a língua, a religião e a alta cultura vêm primeiro, a prosperidade depois.
As escolhas, dizia L. Szondi, fazem o destino. Escolhendo o imediato e o material acima de tudo, o povo brasileiro embotou sua inteligência, estreitou seu horizonte de consciência e condenou-se à ruína perpétua.
O desespero e a frustração causados pela longa sucessão de derrotas na luta contra males econômicos refratários a todo tratamento chegaram, nos últimos anos, ao ponto de fusão em que a soma de estímulos negativos produz, pavlovianamente, a inversão masoquista dos reflexos: a indolência intelectual de que nos envergonhávamos foi assumida como um mérito excelso, quase religioso, tradução do amor evangélico aos pobres no quadro da luta de classes. Não podendo conquistar o sucesso, instituímos o ufanismo do fracasso. Depois disso, que nos resta, senão abdicarmos de existir como nação e nos conformarmos com a condição de entreposto da ONU?
Pomp and Circumstance March No. 4
Edvar Elgar: Pomp and Circumstance March No. 4
Música tema de abertura do True Outspeak. Olavistas todos, todos, conhecem.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Olavo de Carvalho sobre a Macumbaria.
Aqui no Brasil o fetichismo com a macumbaria é tão grande que eu não duvidaria que um dia instituissem a macumba como a religião oficial e o povo todo aplaudisse de pé: "Oh! vamos valorizar a cultura afro brasileira..."
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
O alerta de um soldado
Jeffrey Nyquist
O especialista em geoestratégia Jeffrey Nyquist apresenta as reflexões do dissidente e ex-prisioneiro político russo Vladimir Bukovsky sobre o comprometimento de socialistas ocidentais com Moscou, a natureza totalitária da União Européia e a expansão do socialismo em escala global, que vai neutralizando todos os seus possíveis opositores a cada dia.
Há mais de 160 anos, Søren Kierkegaard declarou que ”a verdade é um poder”. Mas é um poder que raramente é reconhecido de antemão, porque implica em sofrimento, o que a maioria das pessoas não quer. No entanto, ao fim a verdade vence e a maioria a aceita. ”Por quê?”, pergunta Kierkegaard. Não porque ela é verdade. “Eles aderem a ela”, ele explica, “porque todo mundo mais também.”
Vinte anos atrás o bloco socialista supostamente entrou em colapso. Mas quem está honestamente celebrando esse evento? Algumas pessoas imaginaram à época, completamente enganadas, que a verdade tinha vencido a mais viciosa mentira da história. O dissidente e ex-prisioneiro político russo Vladimir Bukovsky, falando no Fórum da Liberdade em Oslo no último 19 de maio, disse que o império socialista do Leste continua a existir. De algum modo ele sobreviveu: ”Os que cometeram todos aqueles horríveis crimes nos países comunistas estão seguros no poder outra vez. Estas pessoas nunca se desculparam. Estas e aquelas que foram seus cúmplices no Ocidente, que foram apologistas e simpatizantes da opressão soviética por todas aquelas décadas… nunca disseram que sentiam muito, e nunca nos deram a chance de perdoá-las.”
Bukovsky também alertou que o socialismo totalitário está em marcha. Não só reviveu no Leste. Está se espalhando pela Europa e América Latina. Bukovsky disse que ”decorridos vinte anos, tudo o que podemos fazer é repetir a famosa frase de Mark Twain de que os rumores de sua morte são grandemente exagerados.” Considere-se somente a situação nos Estados Unidos, onde os socialistas dominam o sistema educacional e controlam o governo. A idéia de que o comunismo morreu em 1989 é uma farsa. “Até agora,” Bukovsky explica, “nenhum país ex-comunista consegui transcender sua experiência do passado… As instituições democráticas são sistematicamente destruídas… as eleições se transformaram em farsas, a repressão política é uma realidade diária outra vez, e mesmo novos países juntaram-se a esta lista de tiranias e sociedades repressoras, como a Venezuela.”
Como isso aconteceu? Como pôde o socialismo totalitário recuperar em tão pouco tempo tanto terreno perdido e sem nenhuma significativa resistência? Como ele conseguiu fazer tanto progresso nos EUA? “Contrariamente às expectativas de alguns,” Bukovsky lamenta, “o colapso dos regimes comunistas no Leste não trouxe qualquer sobriedade ao Ocidente para uma reavaliação de seus valores. Enquanto nós falamos, uma nova versão de União Soviética é forçada a uma maioria silenciosa das nações européias: a União Européia. É certo que é uma cópia muito empalidecida da União Soviética; mas de qualquer modo já uma cópia. Já nos disseram que haverá uma polícia, Europol, algum tipo de versão da KGB, que irá nos policiar em 32 acusações de crimes, duas das quais são particularmente interessantes porque não existem como crime no código penal de nenhuma nação: que são o crime de racismo e o crime de xenofobia. E já nos explicaram que aqueles de nós que se opuserem às políticas de imigração da União Européia serão acusados de crime de racismo, e quem se opuser à União Européia será acusado de crime de xenofobia. Bem, sempre vale saber sob qual artigo você vai pra cadeia.”
O politicamente correto parece irresistível. A verdade não pertence à maioria dos seres humanos. Eles não são soldados para a verdade. Em vez, são vítimas da mentira. Somente uma minoria resiste, pelo processo do sofrimento – como a própria verdade sofre. Bukovsky disse no Fórum da Liberdade de Oslo que a utopia socialista é um empreendimento criminoso. Não pode ser de outro jeito. E como tal, ele explica, deveria ter sido posto em julgamento em 1992. Mas não houve nenhum julgamento.
Segundo Bukovsky, “[em 1992] Eu… tive acesso aos arquivos do Comitê Central do Politburo; e o que descobri lá explica porque o Ocidente estava tão inflexível contra um julgamento de Nuremberg em Moscou. Para começar, muitíssimas personalidades ocidentais da política, dos negócios e do mundo cultural mantinham colaboração secreta com Moscou, o que teria sido um imenso choque para o ocidente se fosse revelado. E ninguém queria esse choque. Mas mais importante, teria sido um choque ideológico. Durante todo o fim da União Soviética, segundo os documentos que vi, numerosos líderes do Ocidente, particularmente da esquerda, viriam à Rússia, à União Soviética, alarmados com a perspectiva do colapso. Agora pense nisto, nós trabalhamos toda nossa vida para ver aquele colapso e, no momento crucial quando ele estava por acontecer, o mundo inteiro estava tentando salvá-lo. E qual era a explicação? Por que eles foram tão inflexíveis apoiando o regime em desintegração? Oh, porque, como dizem, e eu cito: ‘o colapso do socialismo no Leste pode levar à crise esta idéia no Ocidente.’ Então o que eles estavam tentando salvar era sua própria ilusão, sua própria utopia de socialismo, condenando nossos países…”
A KGB e o Partido Comunista da União Soviética não estavam sem aliados em 1992, e eles não estão sem aliados hoje. Os socialistas soviéticos são parte de uma grande irmandade que inclui socialistas americanos e europeus ocidentais. O crime de forçar uma utopia socialista no mundo ainda é sua meta. Aqueles que “forçam uma utopia sobre as pessoas estão cometendo um crime,” Bukovsky declarou. Este é legado do socialismo. Se não pudermos aprender com ele, então a gigantesca tragédia da opressão soviética ”não terá qualquer significado.”
No Fórum da Liberdade de Oslo, Bukovsky exigiu “rendição incondicional de nosso inimigo…” E então, ele disse, nós temos que submetê-los a julgamento. “Disseram-nos [em 1992] que nós estávamos tentando montar uma caça às bruxas,” disse Bukovsky. “Bem, hoje as bruxas retornaram e nos estão caçando.” O Kremlin está empenhado em um maciço programa de rearmamento. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão se desarmando. Aqueles que poderiam resistir foram neutralizados. Uma pequena minoria de organizadores, oficiais da KGB, agentes de influência e companheiros de viagem efetivamente viraram a mesa no mundo livre.
A crise final nos aguarda, e Bukovski nos diz que temos uma escolha: ser soldados contra o socialismo ou ser suas vítimas.
Copyright © 2009 Jeffrey R. Nyquist Global Analysis Archive
Original em inglês: A Soldier’s Warning
http://www.financialsense.com/stormwatch/geo/pastanalysis/2009/1009.html
http://www.strategiccrisis.com/ (novo site de J. Nyquist)
Coluna publicada semanalmente: 09.10.2009
Tradução: Pedro Laini
Publicada no ótimo site MIDIA SEM MÁSCARA
O especialista em geoestratégia Jeffrey Nyquist apresenta as reflexões do dissidente e ex-prisioneiro político russo Vladimir Bukovsky sobre o comprometimento de socialistas ocidentais com Moscou, a natureza totalitária da União Européia e a expansão do socialismo em escala global, que vai neutralizando todos os seus possíveis opositores a cada dia.
Há mais de 160 anos, Søren Kierkegaard declarou que ”a verdade é um poder”. Mas é um poder que raramente é reconhecido de antemão, porque implica em sofrimento, o que a maioria das pessoas não quer. No entanto, ao fim a verdade vence e a maioria a aceita. ”Por quê?”, pergunta Kierkegaard. Não porque ela é verdade. “Eles aderem a ela”, ele explica, “porque todo mundo mais também.”
Vinte anos atrás o bloco socialista supostamente entrou em colapso. Mas quem está honestamente celebrando esse evento? Algumas pessoas imaginaram à época, completamente enganadas, que a verdade tinha vencido a mais viciosa mentira da história. O dissidente e ex-prisioneiro político russo Vladimir Bukovsky, falando no Fórum da Liberdade em Oslo no último 19 de maio, disse que o império socialista do Leste continua a existir. De algum modo ele sobreviveu: ”Os que cometeram todos aqueles horríveis crimes nos países comunistas estão seguros no poder outra vez. Estas pessoas nunca se desculparam. Estas e aquelas que foram seus cúmplices no Ocidente, que foram apologistas e simpatizantes da opressão soviética por todas aquelas décadas… nunca disseram que sentiam muito, e nunca nos deram a chance de perdoá-las.”
Bukovsky também alertou que o socialismo totalitário está em marcha. Não só reviveu no Leste. Está se espalhando pela Europa e América Latina. Bukovsky disse que ”decorridos vinte anos, tudo o que podemos fazer é repetir a famosa frase de Mark Twain de que os rumores de sua morte são grandemente exagerados.” Considere-se somente a situação nos Estados Unidos, onde os socialistas dominam o sistema educacional e controlam o governo. A idéia de que o comunismo morreu em 1989 é uma farsa. “Até agora,” Bukovsky explica, “nenhum país ex-comunista consegui transcender sua experiência do passado… As instituições democráticas são sistematicamente destruídas… as eleições se transformaram em farsas, a repressão política é uma realidade diária outra vez, e mesmo novos países juntaram-se a esta lista de tiranias e sociedades repressoras, como a Venezuela.”
Como isso aconteceu? Como pôde o socialismo totalitário recuperar em tão pouco tempo tanto terreno perdido e sem nenhuma significativa resistência? Como ele conseguiu fazer tanto progresso nos EUA? “Contrariamente às expectativas de alguns,” Bukovsky lamenta, “o colapso dos regimes comunistas no Leste não trouxe qualquer sobriedade ao Ocidente para uma reavaliação de seus valores. Enquanto nós falamos, uma nova versão de União Soviética é forçada a uma maioria silenciosa das nações européias: a União Européia. É certo que é uma cópia muito empalidecida da União Soviética; mas de qualquer modo já uma cópia. Já nos disseram que haverá uma polícia, Europol, algum tipo de versão da KGB, que irá nos policiar em 32 acusações de crimes, duas das quais são particularmente interessantes porque não existem como crime no código penal de nenhuma nação: que são o crime de racismo e o crime de xenofobia. E já nos explicaram que aqueles de nós que se opuserem às políticas de imigração da União Européia serão acusados de crime de racismo, e quem se opuser à União Européia será acusado de crime de xenofobia. Bem, sempre vale saber sob qual artigo você vai pra cadeia.”
O politicamente correto parece irresistível. A verdade não pertence à maioria dos seres humanos. Eles não são soldados para a verdade. Em vez, são vítimas da mentira. Somente uma minoria resiste, pelo processo do sofrimento – como a própria verdade sofre. Bukovsky disse no Fórum da Liberdade de Oslo que a utopia socialista é um empreendimento criminoso. Não pode ser de outro jeito. E como tal, ele explica, deveria ter sido posto em julgamento em 1992. Mas não houve nenhum julgamento.
Segundo Bukovsky, “[em 1992] Eu… tive acesso aos arquivos do Comitê Central do Politburo; e o que descobri lá explica porque o Ocidente estava tão inflexível contra um julgamento de Nuremberg em Moscou. Para começar, muitíssimas personalidades ocidentais da política, dos negócios e do mundo cultural mantinham colaboração secreta com Moscou, o que teria sido um imenso choque para o ocidente se fosse revelado. E ninguém queria esse choque. Mas mais importante, teria sido um choque ideológico. Durante todo o fim da União Soviética, segundo os documentos que vi, numerosos líderes do Ocidente, particularmente da esquerda, viriam à Rússia, à União Soviética, alarmados com a perspectiva do colapso. Agora pense nisto, nós trabalhamos toda nossa vida para ver aquele colapso e, no momento crucial quando ele estava por acontecer, o mundo inteiro estava tentando salvá-lo. E qual era a explicação? Por que eles foram tão inflexíveis apoiando o regime em desintegração? Oh, porque, como dizem, e eu cito: ‘o colapso do socialismo no Leste pode levar à crise esta idéia no Ocidente.’ Então o que eles estavam tentando salvar era sua própria ilusão, sua própria utopia de socialismo, condenando nossos países…”
A KGB e o Partido Comunista da União Soviética não estavam sem aliados em 1992, e eles não estão sem aliados hoje. Os socialistas soviéticos são parte de uma grande irmandade que inclui socialistas americanos e europeus ocidentais. O crime de forçar uma utopia socialista no mundo ainda é sua meta. Aqueles que “forçam uma utopia sobre as pessoas estão cometendo um crime,” Bukovsky declarou. Este é legado do socialismo. Se não pudermos aprender com ele, então a gigantesca tragédia da opressão soviética ”não terá qualquer significado.”
No Fórum da Liberdade de Oslo, Bukovsky exigiu “rendição incondicional de nosso inimigo…” E então, ele disse, nós temos que submetê-los a julgamento. “Disseram-nos [em 1992] que nós estávamos tentando montar uma caça às bruxas,” disse Bukovsky. “Bem, hoje as bruxas retornaram e nos estão caçando.” O Kremlin está empenhado em um maciço programa de rearmamento. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão se desarmando. Aqueles que poderiam resistir foram neutralizados. Uma pequena minoria de organizadores, oficiais da KGB, agentes de influência e companheiros de viagem efetivamente viraram a mesa no mundo livre.
A crise final nos aguarda, e Bukovski nos diz que temos uma escolha: ser soldados contra o socialismo ou ser suas vítimas.
Copyright © 2009 Jeffrey R. Nyquist Global Analysis Archive
Original em inglês: A Soldier’s Warning
http://www.financialsense.com/stormwatch/geo/pastanalysis/2009/1009.html
http://www.strategiccrisis.com/ (novo site de J. Nyquist)
Coluna publicada semanalmente: 09.10.2009
Tradução: Pedro Laini
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