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quinta-feira, 16 de julho de 2026

O turismo.

Qualquer governante que pensasse em fazer sua cidade, estado ou este país chamado de Brasil prosperar economicamente deveria pensar em turismo, como parte do mecanismo comercial. As pessoas gostam muito de turismo, desde que seja seguro e atrativo. O problema quase geral dos roteiros turísticos no Brasil é que eles são pouco interessantes, limitados e normalmente as cidades bastante inseguras. 

O outro aspecto que atormenta o turismo brasileiro é a absoluta vontade geral das pessoas neste país de botar abaixo tudo o que é histórico para construir malocas genéricas com ar moderno. A cada 50 anos ou menos, por exemplo, a maior cidade da América Portuguesa, é reconstruída. São Paulo é uma cidade sempre em obras. Há, para onde a vista alcance, um prédio comercial ou condomínio habitacional em construção. Há até alguns anos, as construções de infraestrutura pública seguiam um ritmo semelhante. Hoje, pelo menos aqui, basicamente só uma ou outra obra do Metrô ou uma reforminha de asfalto da prefeitura. O grosso da infraestrutura está aí, carece apenas da periódica manutenção. 

Pense no quão mais rico seria o turismo na cidade de São Paulo se a segurança pública fosse melhor. Se um lugar como o Parque Dom Pedro II fosse realmente um parque, como há sessenta anos era. Que o museu de história do Estado de São Paulo, previsto para ficar ali, tivesse finalmente sido concluído (as obras se iniciaram no final dos anos 2000, durante o mandato do Serra como governador). Que o belíssimo prédio, da época imperial, o quartel ali no começo da Baixada do Glicério pudesse ser um palácio público ou um espaço cultural. O Centro Paulistano é um exemplo enorme do quanto o turismo poderia ser aproveitado. Um museu simples, como o Catavento, ali mesmo no Parque Dom Pedro II está sempre com grande público, de país e crianças, além de excursões escolares em visitação àquele espaço. Vários museus temáticos precisam ser criados. Por que não um Museu do Esporte (já há o do futebol)? Que peçam as pessoas sugestões de coisas boas para se ter em museus e em parques temáticos. São Paulo bem que podia ter um parque temático militar. Eu certamente frequentaria. E aposto que teria grande público. 

domingo, 31 de maio de 2026

Tardes de domingo

 A percepção é toda delimitada.

A minha é delimitada por minha classe social: um paulistano quatrocentão pobre, de bairro antigo. 

Por minha convivência na São Paulo que foi construída fisicamente bem até a época do Milagre Econômico.

Essa é parte da comunidade que vivo. 

Olho na janela e vejo sol alaranjado entrar por ela, batendo na parede e na estante. 

Hoje não temos crianças andando pelas ruas. Essa mesma situação há vinte anos seria diferente. Haveriam muitos meninos andando de skate, ou correndo atrás de pipas. 

Há algo muito bonito nos domingos. Normalmente é dia pacífico. Normalmente é dia silencioso. O repouso reina. 

Não há mais cães latindo. Há vinte anos ouvíamos vários. Quase toda casa tinha o seu. 

É preciso manter a imagem do passado no presente. Sem ela, o que virá não terá alma. 

sábado, 28 de março de 2026

Curtas

 Eu tenho uma tese sobre isso do Rei Carlos, da Inglaterra, ser ora apresentado como um iniciado sufista, ora como um cripto judeu nato e oficialmente como chefe supremo da Igreja Anglicana, portanto, um cristão protestante e herdeiro do anglo-catolicismo. Tudo isso só é possível, de fato, dentro de uma estrutura esotérica sufista, se com relacionamento direto com o movimento guenoniano não sabemos. A Inglaterra, o maior império da história, em extensão, possibilitou que o esoterismo ocidental pudesse perscrutar o esoterismo oriental, nativo americano e africano. Nenhum outro império pode ter tanto acesso à  todas as matrizes esotéricas quantos os ingleses. Eu lamento muito por isso. O engano tomou conta. Meu interesse nisso é enquanto fenômeno social, fato histórico. Religiosamente a importância de tudo isso é nula. Toda teologia cristã já esculhambou isso. Lamento mais ainda pela bela Igreja Anglicana, hoje pervertida por sodomitas, feministas e liberais. Ainda há justos lá. Não serão totalmente aniquilados. Há uma chance de restauração.

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Talvez isso tenha acontecido em 2010. Mais tardar 2011. 

Eu lia um livreto daqueles de máquinas do metrô, em papel jornal, da editora Escala. Era um livro de aforismos e sentenças de Frederico Nietzsche. Me lembro bem da cena. Estava sentado no fundo do ônibus, ou da linha 576-C/10 ou da 5010-10, que saem de Santo Amaro e vão até o Jabaquara. Eu tinha esse hábito de sair mais cedo de casa e pegar vários ônibus para ir até Santana, por duas razões, para economizar com a integração com o metrô e para poder andar pela cidade e a observá-la. Para mim é sempre uma alegria olhar a cidade. Nesse dia, uma moça se sentou perto de mim e puxou conversa sobre o sifilítico filósofo. Eu estava no alvo daquela aranha que pretendia me arrastar para sua teia. Hoje, em período de Tinder, não sei se isso continua existindo, isso, digo, o flerte em locais públicos. Não ando mais de ônibus há muitos anos. Nas filas do supermercado ou nos atendimentos que faço na repartição nunca presenciei isso. Nem na igreja eu vejo algo semelhante. Não faço ideia de como as pessoas se relacionem mais. Talvez eu devesse ter me aproximado da teia daquela aranha. 

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By Richard Nadler. Uma coisa que me chama muito a atenção é como o automobilismo não diminuiu em interesse e vem renovando seu público entusiasta. Isso concorrendo com os jogos eletrônicos e as redes sociais. É visível que a Fórmula 1 no Brasil perdeu apelo nos últimos vinte anos, devido ao fracasso de novos pilotos brasileiros. Pós Barrichello e Massa, nenhuma nova expectativa se criou. Ainda assim, na escola, vejo moleques que gostam de corrida. Carros são realmente uma obra de arte da indústria. Nas corridas, uma obra de arte de artesãos.

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A falta de informação e a desinformação explicam a razão da direita política atual e dos evangélicos atuais serem abertamente e ostensivamente a favor do Estado de Israel. A falta de informação sobre como os judeus historicamente veem os cristãos, como o Talmud, o livro sagrado do judaísmo rabínico se refere à Jesus Cristo e à Maria Virgem, sobre como os judeus acham que são uma raça superior a todos os demais povos do mundo -- por direito divino e que quando o seu falso messias vier eles irão dominar todos os demais povos e nos fazer de escravos seus. Desinformação, ou melhor, mentira, ao perverter o dispensacionalismo, vertente cristã da escatologia, que vê a história da Igreja em eras de dispensação do poder divino, onde haverá o milênio literal. Na perversão difundida pela maçonaria judaica (via Bíblia de estudos Scofield), os judeus passam a ter um papel especial nesse processo. O cristianismo nunca aceitou essa tese herética, nem no catolicismo, nem no protestantismo histórico. Igrejas são fechadas em Israel. Israel que apoiou o ISIS, que colocou terroristas no poder na Síria e que hoje fecham igrejas cristãs na Síria. Roma versus Judea nunca terminou. Só há um lado correto nessa guerra, o de Roma. Judeus não protegem cristãos, ao contrário, nos atacam. Que se lasquem o quando for preciso na guerra em que criaram.

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A direita brasileira atual é uma só coisa: um híbrido entre o centrão fisiológico e neoconservadorismo americano. É péssima. Mas, não critique, não fale nada, senão o Lula se reelege. Uma direita brasileira que fica se estapeando num evento do Partido Republicano, o CPAC, só demonstra que estamos falando de vendilhões, não de patriotas. Nada me surpreende. Separatismo contra essa gente. O separatismo é sempre um cordão sanitário.

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Minha mente, diariamente, me leva em lugares da cidade de São Paulo. Estou pensando em alguma coisa qualquer e vejo um frame da Avenida Vereador José Diniz. Estou dirigindo e vejo na mente a Avenida Pompéia. Noutra hora estou transplantado para a Avenida Sapopemba ou a Rua da Mooca. Isso me lembra que ontem, andando pela região da Saúde e do Planalto Paulista eu fiquei espantado como a cada dia que ando em São Paulo eu conheço uma rua nova, um pedaço novo da metrópole e dela não me enjoo. São Paulo é única e irrepetível. É a maior cidade do mundo. É o mundo.

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O nacionalismo brasileiro parece estar em processo de uma nova onda, impulsionado pela saída de cena do nacional desenvolvimentismo do Ciro Gomes, com o fracasso total do PDT, que se converte em simples legenda alternativa ao PT, portanto, refém do esquema de juros altos e máfia dos bancos, do qual o PT é o grande representante e pela paralela ascensão do ex-comunista Aldo Rebelo, que não se pode negar o espírito de Policarpo Quaresma de longa data, raposa velha da esquerda parlamentar que se cansou dos conchavos parlamentares e deverá sair candidato à presidente. A velhice dá esses ataques de coragem. Aldo já foi ministro várias vezes, deputado federal, presidente da câmara, eminência parda. Agora quer tentar arriscar disputar a presidência, talvez mais para denunciar o esquema político que aí está do que qualquer outra coisa. Acho que ele está certo. Apesar de ser um opositor total ao nacionalismo brasileiro, acho que para o primeiro turno uma figura como Aldo Rebelo é digna de receber um voto. Não por outra razão senão pela ausência de coisa melhor na disputa. Já votei no Eymael e no Levy Fidelix. Agora o micro candidato é ele. No segundo turno é só o anti-PT mesmo. 

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Meta profissional: passar a semana enrolando para escrever uma coluna para um jornal de domingo. Ser fartamente remunerado por isso. A Mega Sena é um sonho mais factível.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

O paulistano eterno

 Me identifico com o paulistano que mora na casa que restou numa rua em dissolução.

É como o velho morador de Pinheiros, que habitava uma casa ou sobrado, hoje cercado de comércios, prédios envidraçados e milhares de transeuntes. 

É como alguém que resiste em morar numa casinha na Vila Olímpia. 

Ou mora no Largo 13.

Na avenida São João ainda resta uma casa.

Na mente tenho essas imagens. Desde sempre reparei nuns tipos assim. Um velho que envelhece com o imóvel. Ambos dois resistentes.

Eu sou também um resistente e minha casa também. Resistimos, pois somos eternos. 

A última casa da Avenida São João

Um desses resistentes, venceu a morte pela memória.


terça-feira, 22 de abril de 2025

Geração de frutas

 As mães nos ensinam desde que mal pronunciamos qualquer palavra o que elas consideram educado e o que não consideram. Não só do que podemos, grosso modo, chamar de educação, mas me refiro àquilo que melhor pode ser qualificado como etiqueta. Como ser cortês, como ser fino, como ter bons modos, como entrar e como sair e, um fator importante e negligenciado: como não arrumar confusão ou como se livrar delas.  Há aquelas que dizem aos filhos: se fulano mexer com você na rua ou na escola, revide, meta a porrada nele. E há aquelas que falam aos seus rebentos: não arrume confusão na rua, fuja, minta, diz que não foi com você, que você não tem nada a ver com aquilo, etc. Em suma, a minha geração cada vez mais é cheia de dedos, ou seja, cheia de bons modismos. É acostumada somente em fugir dos problemas e não em enfrentá-los. Eu mesmo sou expert em fugir de todos os meus problemas e não enfrentá-los face a face. Aliás, eu diria, eu tenho a minha personalidade afirmada na ideia de que devo resolver os meus problemas não pensando nele, nem resolvendo, mas deixando o tempo e o afastamento resolverem os meus problemas. Se eu os esqueço ou se não os vejo, pronto, voilá, não há mais problemas. O homem quando não consegue fugir desses problemas ou esquece-los, por causa da força das circunstâncias específicas daquela situação, então se vê amarrado nas dores psicológicas, como a depressão, a ansiedade, os transtornos obsessivos compulsivos, síndromes e mesmo com problemas físicos ou psicossomáticos. 

Somos uma geração fraca, doente e covarde porque fomos criados como donzelos fracos, que só deviam fugir de seus problemas e não resolver as coisas na base da porrada e da força. Agora é tarde.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Curtas

 Na Inglaterra, dizem as notícias, grande está a pressão sobre o premiê Keir Starmer, do partido trabalhista (a esquerda de lá). O motivo: seu governo tem sonegado o grande número de paquistaneses que formam gangues para estuprar meninas e mulheres brancas (o detalhe racial é essencial). A razão da sonegação é para evitar uma onda de islamofobia na Inglaterra.

Tenho pra mim que a Europa, no geral, e em especial, os países da banda ocidental, estão todos de quatro socialmente perante a invasão de hordas do terceiro mundo, da África e do Oriente. O europeu não tem mais filhos. A economia europeia é baseada somente em arrolamento de dívidas. O europeu se tornou indolente e folgado, não é mais laborioso. A organização social europeia está claramente ruindo aos nossos olhos. Que destino, homem branco! Fruto de suas escolhas, quase um século atrás, quando preferiu as cantilenas liberais e socialistas. A Europa é um continente de ateus. O europeu não quer saber mais de religião cristã. Não adianta mandar para lá missionários das Américas, porque o europeu está com seus ouvidos tapados para as verdades evangélicas. Os países europeus cairão um a um, primeiro os do oeste e, depois os do leste, daqueles que não se protegerem dos vírus liberais e ateus (a Hungria, provavelmente, deve ser uma ilha de resistência, outros dizem o mesmo da Polônia, mas duvido).

A Inglaterra se quiser ser restaurada não precisa de um gás vindo da monarquia, antes precisa de um novo Lord Protector, Oliver Cromwell. Ele sepultará a decrépita e traidora família real (liberal e  muçulmana) e colocará os imigrantes para fora do país. Promoverá uma imigração selecionada de países claros, de populações cristãs e bem formadas e preparadas para o mercado de trabalho. É isso ou nada. É isso ou não existirá uma Inglaterra cristã ao dobrar o limiar do próximo século. Não é ruim que sírios ou iraquianos cristãos emigrassem para a Inglaterra. Não teriam dificuldades de se tornarem autênticos ingleses em meia geração. Esse é um repovoar certeiro e possível. Barrar o islã, o indostanismo e o africanismo é urgente.

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O Governo do PT está alardeando, via imprensa comprada, que o Brasil voltou a ser um país de renda média. Ou essa turma do jornalismo está usando drogas mais pesadas do que o habitual ou está chovendo dinheiro, como nunca, na cabeça dessa gente. Nunca se viu tantas pessoas morando nas ruas. As esquinas de São Paulo estão repletas de drogados zumbis. O Brasil tem milhões de sustentados pelo estado, que passam o dia coçando o rabo sem perspectiva nenhuma de reingressarem no mercado formal de trabalho. Os preços nos mercados são exorbitantes. Nem a classe média real, gente que tem lá a sua renda per capita por volta dos r$ 3.000,00 vive com luxos. Qualquer carro 1.0 sem ar condicionado custa r$ 80.000,00. O brasileiro não come carne ou lácteos todo dia. Ainda assim essa raça maldita do governo quer dizer que o Brasil é um país de classe média e renda média? Por isso eu defendo o fim do Brasil. O brasileiro merece alguém pior que o Lula.

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E se preparem, faz tempo que tenho alertado à algumas pessoas que o Brasil vai passar por uma bolha imobiliária muito forte. A cidade de São Paulo é um grande canteiro de obras. São centenas de empreendimentos imobiliários de prédios subindo, seja para uso residencial, seja para uso comercial. A economia não cresce para acompanhar esse ritmo de construção, absolutamente inflado pelo governo, por meio da Caixa Econômica, que financia essas construções. É muito difícil que a população pobre possa comprar um simples apartamento (ou apertamento) de 37 metros² sem direito a vaga de garagem. Restam as favelas, as invasões, os loteamentos clandestinos do PCC nas áreas de mananciais ou nas franjas do município. Ou sobra o aluguel, que não é barato para a renda média real do país (para a renda oficial do governo do PT o assalariado vai pra Disney todo ano).

domingo, 28 de agosto de 2022

Três pensamentos

 O sábio se dói em estudar, conhecer mais e escrever, para deixar tudo como uma nova sabedoria, um saber revisitado, renovado, reformado, para os sábios do amanhã, para que sintam as dores que sentimos hoje.

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O homem sonha com o retorno ao paraíso, ao céu, à Deus. Ele é exilado pelo pecado. O pecado de Adão o separou de Deus, mas Cristo costurou o que estava rasgado, unindo-nos, novamente, ao Pai. Toda sociedade humana é uma ridícula tentativa de imitar e recriar o Paraíso. São tentativas falhas. O paraíso não será aqui, mas além. Aqui há morte, dor e sofrimento, mas a Graça nos dá a liberdade da Vida Eterna, por mérito de Cristo.

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A beleza machuca quando está ausente. Ela não liberta, mas aniquila, se não libertar a todos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

domingo, 24 de maio de 2020

O que importa?

"Beije sua mulher e seus filhos; honre seus pais; seja leal; mostre aos seus amigos que você se importa. No fundo, no fundo, só isso importa." (Maurício Bunazar)
Aron Wiesenfeld 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Minha decepção com Olavo de Carvalho

Se um dia esse meu relato chegar aos olhos e ouvidos do jornalista e filósofo Olavo de Carvalho, acredito que a reação dele será, como foi com vários outros que, em algum momento, resolveram peitá-lo, tirar uma farinha com o velho: ser qualificado como alguém sem preparo, sem formação, incapaz de compreender o que ele diz e por fim um filho da puta, com direito a receber algum apelido jocoso, baseado no seu nome (qual viria a ser o meu apelido?).

Olavo já está na história intelectual do Brasil. Ele é o responsável por dar força ao movimento de resistência ao pensamento de esquerda neste país e por tirá-lo da fossa, desde a década de 1990. 

Responsável maior ainda por popularizar o conceito de conservadorismo no nosso meio e por diferenciá-lo, finalmente, do liberalismo. Ao colocar uma ênfase especial sobre o papel da religião na sociedade ele realocou a direita no eixo moral, retirando o debate do campo material-econômico, que a esquerda domina e, por isso mesmo, acabou arrastando os liberais para este espaço, onde perdem, não por não terem razão, mas por não terem armas distintas das dos socialistas para poder enfrentá-los. No Brasil, colocar os problemas morais como centrais no debate político, é obra de Olavo de Carvalho. 

Nossa matriz religiosa é cristã. Originalmente católica, nossa sociedade está passando por transformações importantes e irreversíveis, onde, a cada dia, o protestantismo, sobretudo o carismático e pentecostal vem ocupando um vácuo deixado pela corrupção moral e de atitudes da maior parte dos setores da Igreja Católica.

O protestantismo no Brasil poderá vir a desempenhar um papel de reordenador da sociedade, mudando valores e sentimentos de nossa sociedade, revalorizando a ética do trabalho, da responsabilidade individual, da solidariedade entre irmãos, do espírito comunitário e gregário. O catolicismo brasileiro, por ser sincrético desde que por aqui chegou, quando os jesuítas começaram a adaptar o catecismo para ensiná-lo aos índios, foi o principal responsável por não termos nesta terra valores morais mais saudáveis. A decadência da ICAR no Brasil é inegável e Olavo não nega isso.

Contudo, a atitude do pensador e de seus alunos, convertidos em discípulos que espalham pela internet a sua palavra, é de total repulsa ao protestantismo, de difamação dos reformadores, como Lutero e Calvino e a pregação de um desrespeito e hostilidade para com os protestantes. 

Nunca esperei que ele, como católico, fosse abandonar as suas convicções religiosas, mas que, como intelectual público, agisse como C.S. Lewis, procurando o mínimo de comum que há nas tradições eclesiásticas cristãs, afinal, nosso inimigo é comum: o mundo moderno, o ateísmo, o socialismo, o humanismo, enfim, o Diabo.

Ao atacar o protestantismo e aprofundando a enorme divisão já existente entre evangélicos e católicos, Olavo faz o serviço do inimigo. Por essa atitude impróprio com relação à religião é que eu deixei de acompanhar o que ele publica em sites e em redes sociais. Isso não impede que livros como A Nova Era ou o Futuro do Pensamento Brasileiro não devam ser lidos. Devem! É preciso ler e DEBATER o que ele defende e propõe. Não importa se a reação dele será a mais grosseira possível. Um ser humano pode ser mal educado e mesmo assim falar coisas sensatas. Os homens sempre falam coisas sensatas num momento e mares de boçalidades em outro. Temos que separar o joio do trigo, mesmo que isso cause reações destemperadas.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Minha ideologia

Um sonho é viver numa chácara longe do barulho da cidade. Longe das pessoas. Casas grandes, mas modestas. Família grande, mas sem exagero. Armas. Educação familiar. Ir à cidade para dar aula. Voltar e ir a igreja. Sem TV. Sem pessoas. Lá fora os campos, milharal, canavial, trigal, centeio, cevada, uva. Caminhonete. Sem exageros. Em torno só o espaço vazio. A morte e o desaparecimento. Passar e ser esquecido. Ser apenas uma pedra com um nome e duas datas, no meio do espaço vazio.


sábado, 28 de setembro de 2013

Insight de uma tarde

O crepúsculo se dava em seu horário habitual. Eram mais de 17 horas e menos de 18.

A avenida vazia, tendo como únicos transeuntes os ventos que a cortavam de uma banda a outra.

Sobre a minha cabeça o céu, com algumas nuvens já adourando a visão e fazendo parcas sombras sobre os ombros.

O aspecto das construções era cinzento como o coração aflito.

Não havia ninguém além de mim. Era o fim.

Era belo. Era.

Deveria permanecer.

E permaneceu como um retrato na minha mente.

E viva a sentença brilhou: "Uma única coisa deve importar ao homem: permanecer de pé entre as ruínas".

Grosser Gott wir loben Dich