quinta-feira, 16 de julho de 2026

O turismo.

Qualquer governante que pensasse em fazer sua cidade, estado ou este país chamado de Brasil prosperar economicamente deveria pensar em turismo, como parte do mecanismo comercial. As pessoas gostam muito de turismo, desde que seja seguro e atrativo. O problema quase geral dos roteiros turísticos no Brasil é que eles são pouco interessantes, limitados e normalmente as cidades bastante inseguras. 

O outro aspecto que atormenta o turismo brasileiro é a absoluta vontade geral das pessoas neste país de botar abaixo tudo o que é histórico para construir malocas genéricas com ar moderno. A cada 50 anos ou menos, por exemplo, a maior cidade da América Portuguesa, é reconstruída. São Paulo é uma cidade sempre em obras. Há, para onde a vista alcance, um prédio comercial ou condomínio habitacional em construção. Há até alguns anos, as construções de infraestrutura pública seguiam um ritmo semelhante. Hoje, pelo menos aqui, basicamente só uma ou outra obra do Metrô ou uma reforminha de asfalto da prefeitura. O grosso da infraestrutura está aí, carece apenas da periódica manutenção. 

Pense no quão mais rico seria o turismo na cidade de São Paulo se a segurança pública fosse melhor. Se um lugar como o Parque Dom Pedro II fosse realmente um parque, como há sessenta anos era. Que o museu de história do Estado de São Paulo, previsto para ficar ali, tivesse finalmente sido concluído (as obras se iniciaram no final dos anos 2000, durante o mandato do Serra como governador). Que o belíssimo prédio, da época imperial, o quartel ali no começo da Baixada do Glicério pudesse ser um palácio público ou um espaço cultural. O Centro Paulistano é um exemplo enorme do quanto o turismo poderia ser aproveitado. Um museu simples, como o Catavento, ali mesmo no Parque Dom Pedro II está sempre com grande público, de país e crianças, além de excursões escolares em visitação àquele espaço. Vários museus temáticos precisam ser criados. Por que não um Museu do Esporte (já há o do futebol)? Que peçam as pessoas sugestões de coisas boas para se ter em museus e em parques temáticos. São Paulo bem que podia ter um parque temático militar. Eu certamente frequentaria. E aposto que teria grande público. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ainda em Babel

A Torre de Babel da imitação simiesca do pentecostalismo ítalo americano teve ainda outras ramificações igualmente pequenas, já no final da década passada e nesta década de 20, do século XXI. 

Há aquele que, movido pela busca de um passado idealizado, do período exato onde havia uma era de ouro desse pentecostalismo na América, especialmente Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil, foi criando um pequeno movimento em torno de si e, ainda em algum momento, se aclamou ou foi aclamado pastor. Não digo ordenado, pois, para isto seria preciso uma ordenação presbiteral, o que não consta ter ocorrido. Se este quis imitar a Assembleia Argentina, me pergunto por que a denominação evangélica daquele país não promoveu missões evangelísticas oficiais no Brasil. 

Mais recentemente notei um movimento de outros que imitam o nome e até o dístico em castelhano "Dios é amor". Zero sentido manter uma placa com esses dizeres sem que se tenha falantes de espanhol como público. Se isto não é uma macaqueação, que poderá ser, então? Mas, como é observado noutras pequenas cisões, se busca de cara o uso da Harpa Cristã em hibridismo disfarçado com o hinário Hinos de Louvores e Súplicas e se libera para que grupos de louvor e cantores possam se apresentar com músicas gospel dentro do salão de reuniões. Enquanto uma parte sensata do protestantismo vem buscando uma nova afirmação dos hinos formais e do canto congregacional, alguns se mostram vanguarda do atraso, em nome de uma proclamada liberdade. Que cada um faça a sua avaliação. 

Neste último movimento, não posso deixar de observar alguma coisa estranha, algo como uma tentativa de outra denominação dita reformada tentar sabotar os velhos crentes da Congregação. Aparentemente, ao contrário do movimento de Jandira, apesar da geografia da zona oeste da Grande São Paulo, aqui há um método, que transita entre a sabotagem e a imitação. 

domingo, 28 de junho de 2026

Confusão de línguas

Não posso precisar a data exata e estou com preguiça de pesquisar no Google, mas, me recordo do baque que parecia ter sido o cisma dos três (depois de um tempo, só dois) anciões da cidade de Jandira. Me recordo de ler na época em blogs e fóruns voltados aos assuntos da Congregação, pessoas com muita expectativa sobre esse novo movimento, como se fosse um "movimento de reforma congregacionalista". O tempo é senhor da razão, já diz o velho ditado. Anos passados, o vírus da desagregação atacou no cerne dos desagregadores. Nunca deixaram de ser uma denominação de igrejinhas, sem aqui qualquer menosprezo por igrejinhas, desde que sejam autênticas reuniões de crentes devotos. Onde há algum gás ainda se deve, tão somente, ao financiamento do ancião fundador, um rico empresário da região oeste da Grande São Paulo. Uma denominação sem teologia, sem um credo doutrinário bem fundamentado, sem liturgia, sem qualquer coisa daquelas que os empolgados dos anos 2010 na internet e, em oculto, nas igrejas, esperavam que a nova cisão viesse trazer. Nada ali subsistiu. 

Se tivesse que seguir algum modelo distinto, mas que estivesse amparado pela tradição do pentecostalismo italiano, poderiam ter se amparado nos zaccardianos, na Assemblea di Dio, na Congregazione Cristiana Evangelica, de Messina, ou ainda na Assembleia Cristã, da Argentina. Mas, não seguiram nada senão suas cabeças cheias de ambição por fama e poder. O dinheiro não compra organização, nem classe, nem ordem, nem história. E Deus mais uma vez fez confusão entre os homens. 

terça-feira, 16 de junho de 2026

domingo, 31 de maio de 2026

Tardes de domingo

 A percepção é toda delimitada.

A minha é delimitada por minha classe social: um paulistano quatrocentão pobre, de bairro antigo. 

Por minha convivência na São Paulo que foi construída fisicamente bem até a época do Milagre Econômico.

Essa é parte da comunidade que vivo. 

Olho na janela e vejo sol alaranjado entrar por ela, batendo na parede e na estante. 

Hoje não temos crianças andando pelas ruas. Essa mesma situação há vinte anos seria diferente. Haveriam muitos meninos andando de skate, ou correndo atrás de pipas. 

Há algo muito bonito nos domingos. Normalmente é dia pacífico. Normalmente é dia silencioso. O repouso reina. 

Não há mais cães latindo. Há vinte anos ouvíamos vários. Quase toda casa tinha o seu. 

É preciso manter a imagem do passado no presente. Sem ela, o que virá não terá alma. 

sábado, 28 de março de 2026

Curtas

 Eu tenho uma tese sobre isso do Rei Carlos, da Inglaterra, ser ora apresentado como um iniciado sufista, ora como um cripto judeu nato e oficialmente como chefe supremo da Igreja Anglicana, portanto, um cristão protestante e herdeiro do anglo-catolicismo. Tudo isso só é possível, de fato, dentro de uma estrutura esotérica sufista, se com relacionamento direto com o movimento guenoniano não sabemos. A Inglaterra, o maior império da história, em extensão, possibilitou que o esoterismo ocidental pudesse perscrutar o esoterismo oriental, nativo americano e africano. Nenhum outro império pode ter tanto acesso à  todas as matrizes esotéricas quantos os ingleses. Eu lamento muito por isso. O engano tomou conta. Meu interesse nisso é enquanto fenômeno social, fato histórico. Religiosamente a importância de tudo isso é nula. Toda teologia cristã já esculhambou isso. Lamento mais ainda pela bela Igreja Anglicana, hoje pervertida por sodomitas, feministas e liberais. Ainda há justos lá. Não serão totalmente aniquilados. Há uma chance de restauração.

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Talvez isso tenha acontecido em 2010. Mais tardar 2011. 

Eu lia um livreto daqueles de máquinas do metrô, em papel jornal, da editora Escala. Era um livro de aforismos e sentenças de Frederico Nietzsche. Me lembro bem da cena. Estava sentado no fundo do ônibus, ou da linha 576-C/10 ou da 5010-10, que saem de Santo Amaro e vão até o Jabaquara. Eu tinha esse hábito de sair mais cedo de casa e pegar vários ônibus para ir até Santana, por duas razões, para economizar com a integração com o metrô e para poder andar pela cidade e a observá-la. Para mim é sempre uma alegria olhar a cidade. Nesse dia, uma moça se sentou perto de mim e puxou conversa sobre o sifilítico filósofo. Eu estava no alvo daquela aranha que pretendia me arrastar para sua teia. Hoje, em período de Tinder, não sei se isso continua existindo, isso, digo, o flerte em locais públicos. Não ando mais de ônibus há muitos anos. Nas filas do supermercado ou nos atendimentos que faço na repartição nunca presenciei isso. Nem na igreja eu vejo algo semelhante. Não faço ideia de como as pessoas se relacionem mais. Talvez eu devesse ter me aproximado da teia daquela aranha. 

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By Richard Nadler. Uma coisa que me chama muito a atenção é como o automobilismo não diminuiu em interesse e vem renovando seu público entusiasta. Isso concorrendo com os jogos eletrônicos e as redes sociais. É visível que a Fórmula 1 no Brasil perdeu apelo nos últimos vinte anos, devido ao fracasso de novos pilotos brasileiros. Pós Barrichello e Massa, nenhuma nova expectativa se criou. Ainda assim, na escola, vejo moleques que gostam de corrida. Carros são realmente uma obra de arte da indústria. Nas corridas, uma obra de arte de artesãos.

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A falta de informação e a desinformação explicam a razão da direita política atual e dos evangélicos atuais serem abertamente e ostensivamente a favor do Estado de Israel. A falta de informação sobre como os judeus historicamente veem os cristãos, como o Talmud, o livro sagrado do judaísmo rabínico se refere à Jesus Cristo e à Maria Virgem, sobre como os judeus acham que são uma raça superior a todos os demais povos do mundo -- por direito divino e que quando o seu falso messias vier eles irão dominar todos os demais povos e nos fazer de escravos seus. Desinformação, ou melhor, mentira, ao perverter o dispensacionalismo, vertente cristã da escatologia, que vê a história da Igreja em eras de dispensação do poder divino, onde haverá o milênio literal. Na perversão difundida pela maçonaria judaica (via Bíblia de estudos Scofield), os judeus passam a ter um papel especial nesse processo. O cristianismo nunca aceitou essa tese herética, nem no catolicismo, nem no protestantismo histórico. Igrejas são fechadas em Israel. Israel que apoiou o ISIS, que colocou terroristas no poder na Síria e que hoje fecham igrejas cristãs na Síria. Roma versus Judea nunca terminou. Só há um lado correto nessa guerra, o de Roma. Judeus não protegem cristãos, ao contrário, nos atacam. Que se lasquem o quando for preciso na guerra em que criaram.

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A direita brasileira atual é uma só coisa: um híbrido entre o centrão fisiológico e neoconservadorismo americano. É péssima. Mas, não critique, não fale nada, senão o Lula se reelege. Uma direita brasileira que fica se estapeando num evento do Partido Republicano, o CPAC, só demonstra que estamos falando de vendilhões, não de patriotas. Nada me surpreende. Separatismo contra essa gente. O separatismo é sempre um cordão sanitário.

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Minha mente, diariamente, me leva em lugares da cidade de São Paulo. Estou pensando em alguma coisa qualquer e vejo um frame da Avenida Vereador José Diniz. Estou dirigindo e vejo na mente a Avenida Pompéia. Noutra hora estou transplantado para a Avenida Sapopemba ou a Rua da Mooca. Isso me lembra que ontem, andando pela região da Saúde e do Planalto Paulista eu fiquei espantado como a cada dia que ando em São Paulo eu conheço uma rua nova, um pedaço novo da metrópole e dela não me enjoo. São Paulo é única e irrepetível. É a maior cidade do mundo. É o mundo.

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O nacionalismo brasileiro parece estar em processo de uma nova onda, impulsionado pela saída de cena do nacional desenvolvimentismo do Ciro Gomes, com o fracasso total do PDT, que se converte em simples legenda alternativa ao PT, portanto, refém do esquema de juros altos e máfia dos bancos, do qual o PT é o grande representante e pela paralela ascensão do ex-comunista Aldo Rebelo, que não se pode negar o espírito de Policarpo Quaresma de longa data, raposa velha da esquerda parlamentar que se cansou dos conchavos parlamentares e deverá sair candidato à presidente. A velhice dá esses ataques de coragem. Aldo já foi ministro várias vezes, deputado federal, presidente da câmara, eminência parda. Agora quer tentar arriscar disputar a presidência, talvez mais para denunciar o esquema político que aí está do que qualquer outra coisa. Acho que ele está certo. Apesar de ser um opositor total ao nacionalismo brasileiro, acho que para o primeiro turno uma figura como Aldo Rebelo é digna de receber um voto. Não por outra razão senão pela ausência de coisa melhor na disputa. Já votei no Eymael e no Levy Fidelix. Agora o micro candidato é ele. No segundo turno é só o anti-PT mesmo. 

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Meta profissional: passar a semana enrolando para escrever uma coluna para um jornal de domingo. Ser fartamente remunerado por isso. A Mega Sena é um sonho mais factível.

sábado, 21 de março de 2026

Curtas

 Aleksandr Dugin é um nome muito falado no meio conservador brasileiro. O debate que teve com Olavo de Carvalho, em 2011, sobre a Nova Ordem Mundial ressoa até hoje. Os comentaristas políticos falam em sua influência se estendendo até o Estado Maior brasileiro. Eu não duvido. Eu li esse debate. É um livrinho fácil de ser lido, embora a discussão seja cansativa pelos dois lados. Recentemente li outros livros sobre a influência da escola perenialista, da qual Dugin é um filhote indireto, na política. Entendo, assim como outros, que a sua relevância é inconteste. É um pensador que mistura escatologia, milenarismo e gnosticismo. Seria possível um tradicionalismo político paulista, nos moldes do modelo que Aleksandr Dugin pensou para a Rússia? Qual o papel teleológico que São Paulo tem no concerto da história das nações? Haverá uma escatologia política paulista?

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O Agente Secreto não é filme ruim. Diria que ele não é ruim não só em comparação com um filme brasileiro. Ter como panorama histórico algumas maldades genéricas da ditadura militar não é um problema. O Brasil teve uma ditadura militar. Eu gostaria que fizessem mais filmes mostrando os crimes da ditadura Vargas. É um assunto que precisa ser explorado. Mas, não me parece que a ideia que os autores tinham era vender a coisa como um filme a mais sobre o governo militar. A ideia é de um drama ambientado nesse contexto histórico. O filme tem méritos técnicos. Um Peugeot 206 também tem seus méritos técnicos, ainda assim, nem o filme, nem o carros são dignos de aplausos.

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Leio notícia que o deputado Hélio Lopes, vulgo, Hélio Negão, teria mudado seu domicílio do Rio de Janeiro para Roraima. A mudança indiscriminada de domicílio eleitoral, como hoje permite a legislação eleitoral, precisa ter um fim. Hélio Negão não conhece as necessidades e a realidade de Roraima, assim também o governador Tarcísio de Freitas não tem nada a ver com São Paulo, não tendo nenhum vínculo com a Pátria Bandeirante, ainda assim, o sistema aceitou que ele estabelecesse domicílio eleitoral, em 2022, na cidade de São José dos Campos, onde seu vice, Felipe Ramuth já tinha sido prefeito. Tudo combinado, é claro. A ideia de que um sujeito pode disputar uma eleição em qualquer buraco que não more reforça a ideia de que políticos devem ser sujeitos técnicos, um certo tipo de burocrata ou ser super esclarecido, pouco importando a sua origem. Discordo. Políticos devem morar no rincão que representam. Devem ter identidade com sua cidade e estado. O Brasil, que ama a regulação estatal, precisa regular melhor isso.

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Eu tenho medo de políticos que tenham visão modernizadora. Mais medo ainda tenho daqueles que mais que a visão tem a ação modernizadora. Na estação que passamos, devemos olhar mais para trás. O futuro é só tristeza. Precisamos evitar que ele chegue a todo custo.

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Lula agora está usando chapéu. Está querendo seguir o modelo do Aldo Rebelo? Aliás, a ideia de ter que votar no Aldo Rebelo, comunista e palmeirense, muito desagrada. Porém, nesta vida tereis aflições...

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Sempre achei que escola não é lugar para religião. Especialmente escolas públicas. Aliás, escola não deveria ser lugar para violência, mas é, não deveria ser espaço para quem não tem vocação mínima para o estudo, mas é, não deveria ser espaço para assédio, mas é. Não deveria ser espaço para um monte de coisas, mas é. A escola é tudo aquilo que ela não deveria nem poderia ser. 

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Em que ano essa história deve ter se passado? Eu estimo em 2008. Meu pai estava internado em hospital que foi fechado há mais de dez anos. Acho que estava com uma camisa cinza chumbo, a mesma que usei na foto da minha reservista. O velho tinha uma plêiade de doenças. Dessa vez a internação tinha a ver com o intestino. Me lembro que nessa internação eu dei banho nele com a mangueirinha da ducha higiênica do apartamento do hospital e que essa ducha parecia tão forte como uma Wap. Um dia, nesse período, minha tia resolveu visitar meu pai e eu fui junto por alguma razão. Essa minha tia é uma versão do Ronald Golias de saia, pelo sotaque paulista carregado e pela generosidade. Desse dia com ela eu ainda me lembro de algumas coisas: nós dois parados no ponto de ônibus central, do corredor, de um motoqueiro que foi abalroado na pista ao lado. Me lembro de ver alunos do cursinho do Objetivo saindo da aula. E me recordo que minha tia mexeu no meu cabelo e falou: "você está com cabelo duro, isso é coisa de preto". A fala não me causava surpresa nenhuma. Meu pai tinha a mesma fala dela, afinal, eram irmãos. De tanto lavar o cabelo com sabonete, meu cabelo ficou mais crespo. Depois, quando o dinheiro voltou a possibilitar que se usasse shampoos em casa, o cabelo alisou para o normal, novamente. Meu pai já foi há quinze anos. Essa minha tia nonagenária está aqui entre nós. É ótimo ter tias. E ter pai.



domingo, 8 de fevereiro de 2026

A longa permanência militar.

Existem alguns cenários que são permanentes na história política do Brasil. O patrimonialismo, como estudou Raymundo Faoro, é um deles. Outro fato permanente dessa história é a influência da casta militar, por vezes nas sombras, por vezes na superfície da política. 

Um dos grandes nomes da ação militar sobre a sociedade e a política, o general Golbery do Couto e Silva, afirmou que "O Brasil é um país condenado à grandeza". O emprego da palavra "condenado" é corretíssima. Este é um país condenado, tal como é alguém que tem gigantismo ou elefantíase. Até agora esse paciente não pode ser curado dessa enfermidade. 

O general Oswaldo Muniz Oliva, Paulista de Santos, é pai do ex-senador e atual presidente do BNDES, Aloízio Mercadante. Seria muito curioso saber das discussões intelectuais, se é que elas haviam, entre o general e seu filho petista. Li que o general Oliva chegou a ser conselheiro militar do Lula. O livro não faz nenhuma crítica ao petismo. Nenhuma. E foi publicado em 2002, quando esse partido estava próximo de chegar à presidência da república pela primeira vez. Porém, todos já conheciam o poder destrutivo do PT, por suas gestões em prefeituras, como São Paulo, com a paraibana retirante Luiza Erundina e no governo do Rio Grande do Sul, com o indefectível Olívio Dutra.



Na análise geopolítica histórica da América Portuguesa, o general Oliva aponta para a relevância da bacia do Prata, como um enfoque que o Brasil precisou ter, para que não perdesse ascensão sobre essa região, considerando a influência dos demais países que tem esse país como sustento da sua vocação de poder, cito a Argentina, Uruguai e, menos, o Paraguai. Aqui a história completa nos oferece uma informação melhor: não é o Brasil um país da bacia do Prata, mas, São Paulo, pois desde o período dos Bandeirantes nós buscamos um intercâmbio com o vice-reino do Rio da Prata. Não era algo cabível falar em Brasil naquela altura. São Paulo existia e era reconhecido como um estado de per-si. O Brasil não. A ideia de um Brasil na bacia do Prata só faz sentido pós II reinado. Vejo que o problema da Cisplatina se deve também a isso, no fundo. O fim do bandeirismo fez com que as relações lusoamericanas com o Prata perdessem força. Lusoamericanas, leia-se Paulistas. Eram os Paulistas que tinham um excelente trato com os espanhóis e criollos. Se a América Portuguesa pretende se integrar ao Prata de verdade, precisa conceder autonomia para que São Paulo conduza soberanamente esse processo. Todas as bacias hidrográficas induzem à separação do Brasil. O general Oliva concordaria comigo. Os rios não permitem a integração regional, antes estabelecem divisas.

Essa longa permanência da influência politica dos militares poderia ser rastreada mais longe, mas, prefiro situá-la na Guerra do Paraguai. Este conflito foi a causa da verdadeira ruína do II Império. Sem a guerra, os militares não teriam obtido proeminência e destaque. E não teriam se irmanado com negros nas trincheiras. O sentimento de irmandade entre estes não teria se formado. Essa irmandade é um verdadeiro patriotismo de irmãos de arma. Sem esse cenário sentimental, a escravidão teria persistido mais ou os fazendeiros teriam tido mais forças para brigar pela manutenção do sistema escravista. O modelo econômico -- atrasado, aliás -- poderia ter persistido. Só São Paulo estava melhor preparado para enfrentar a necessidade de um novo modelo econômico, assentado na imigração e no trabalho assalariado, pois assim já vinha começando a fazer, considerando suas necessidades de mão de obra, frente à expansão da lavoura do café. A providência leva São Paulo sempre na vanguarda da transformação social. 

"Muitos fazendeiros, revoltados, expulsaram-nos das fazendas, Outros buscaram mantê-los pelo teto e pela comida. Outros pagaram-lhes algum salário como concessão. Na verdade, a maioria dos fazendeiros não estava preparada para a situação nova, tanto econômica quanto psicologicamente, à exceção da maioria dos fazendeiros paulistas, que, por seu governo, contratara italianos para a lavoura e já se acostumara com o pagamento da mão-de-obra rural." (pp.37)

Com a república, puderam os militares ocupar a presidência da república em várias ocasiões. A república, é preciso relembrar, nasceu como um golpe e uma ditadura militar. 1889, um golpe dado por Deodoro da Fonseca derrubou o decrépito imperador Bragança. Pós Deodoro, foi consolidada a república pelo alagoano Floriano Peixoto, o "marechal de ferro". Os militares, porém, sabem que apesar de serem uma constante no poder, ora ocupando ele diretamente por meio de cargos políticos, ora atuando nos bastidores, precisavam fornecer uma aparência de democracia, como o ocidente civilizado faz questão de cobrar do mundo. Foi a presidência passada aos fazendeiros, a elite econômica, que contou com a anuência dos militares para estar no poder. No fim, quem tem as armas nas mãos e tem o poder sobre a vida e a morte detém todo o poder possível, caso queira empregá-lo. Todos os demais poderes, econômico, midiático, judiciário, burocrático, é uma concessão da força bruta controlada. 

O estado brasileiro, especialmente, durante os períodos de ditadura, mas, é evidente, não só neles, soube operar psicologicamente, sobre a população por meio da comunicação de massas. Foi durante a ditadura de Vargas, com o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda e com a televisão durante da ditadura militar que o estado fabricou os elementos básicos da identidade brasileira, a chamada brasilidade. O samba, o futebol, a cachaça, a mulata, a miscigenação, a integração nacional, a queima das bandeiras, a obrigação de símbolos nacionais de forma sistemática, não natural ou orgânica. O que intelectuais civis e militares pensaram sobre a formação e construção da identidade nacional brasileira, o estado executou com excelência. A ideia de unidade nacional, eu considero, é a suprema razão de ser das forças armadas brasileiras. 

Este livro do general Oliva é muito bom. No que se propõe a tratar de análise e propostas é factível e realista. Só não é realista ao ignorar o PT na história. Livro publicado em 2002, cita no final a Rodésia como possível parceiro internacional do Brasil. Talvez seja um apanhado de coisas escritas ao longo de sua carreira. Talvez seja só confusão. Não saberemos a resposta. Mas, ignorar o petismo tem explicação. Esse seria o primeiro general do petismo ou tivemos outros que eu ainda não conheci? Bom, relembremos que exista quem diga que o Lula é uma cria do Golbery para queimar o Brizola. Me parece que o Brizola cria nisso, mesmo que tenha sido vice na chapa do sapo barbudo, em 1998.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Curtas

Getúlio permaneceu no poder por 19 anos (1930-1945 e 1950-1954). O Lula pode encaminhar, na sequência, mais um mandato e fechar sua carreira com 16 anos de presidência. É claro que o Barba vai se comparar com o Caudilho. Na verdade, ele o imita. Mas, a bem da verdade, a Dilma do Getúlio, que foi Juscelino, foi muito mais competente. 

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"A coesão nacional é um fator inseparável da liderança, as maiorias e minorias nacionais se perderão nos desvãos sectários da polêmica estéril e a nação se desencontrará de seu destino. Sem liderança não haverá objetivo, não haverá convergência, não poderá haver força, potência." 

(General Carlos de Meira Mattos) (1975: 102) 

Hoje, General, felizmente, continuamos sem liderança, o que muito me alegra, pois, possibilita que os ânimos separatistas possam continuar em efervescência. No breve e não distante período em que tivemos um presidente militar, um "mito" nasceu e arrebatou o coração de um milhão de pessoas. É mister que não surjam novos mitos para o Brasil, antes que nasçam 27 mitos para as Pátrias Estaduais.

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'General J. B. Gordon at Gettysburg' by Don Troiani

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A Moóca tem um soft power imenso. Não me ocorre outro bairro paulistano que pareça emanar tanta poesia, talvez o Brás, que no fundo é a mesma coisa que a Moóca. Os Alcântaras Machado de hoje precisam cantar novos velhos bairros. Um Jabaquara, um Brooklin, um Planalto Paulista.

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De mais a mais, São Paulo é um mundo especial, zeloso e de boas obras para cronistas. Ou ainda é, enquanto os condomínios sem alma não forem reis totais da paisagem. A tristeza que é ver bairros, como a Vila Mariana, para citar só um exemplo, que se verticaliza não em terrenos vazios ou que outrora tenham sido ocupados por fábricas, mas, no lugar de várias casas e sobradinhos. Não é nostalgia. É estilo de cidade que está sendo feito. São Paulo adora o soterramento. Já foi demolida e reconstruída muitas vezes e assim permanece esse movimento. Mas, nada como o condomínio alterou tanto a realidade como hoje.

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Afora o tempo de criança, quando era passeio da escola pública ir ao cinema, fui poucas vezes ver algum filme. O último que vi foi o Coringa, no cine do Shopping Boa Vista. O Google me informa que isso foi em 2019. Dois anos antes, no cine do então recém inaugurado Shopping Morumbi Town, vi O destino de uma nação -- filme que achei ótimo. Voltando mais no tempo, fui em 2010, com a rapaziada da faculdade ver algum blockbuster no Shopping D. Ou seja, fui só três vezes no cinema nos últimos 16 anos. Li ontem que o Playarte do Ibirapuera será fechado. Eu mesmo nem lembrava que ali tinha cinema. As pessoas não querem mais ir ao cinema, com a facilidade das tvs enormes de LCD em casa, com o streaming e com o custo. O estacionamento é no mínimo vinte cruzeiros. Um refrigerante de máquina e uma pipoca murcha com corante cinquentinha. Fora o ingresso. É um passeio custoso. Exceto se você usar o espaço para namorar, não vejo sentido em ir ao cinema. E, na mesma linha do Apóstolo São Paulo, vou seguindo aqui sem ter razões de ir ao cinema. 

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Vi, ou li, o Olavo certa vez falar que ele misturava Aristóteles com Alborghetti. Apesar de ter sido influenciado por ele na formação intelectual (muito menos do que qualquer olavete por aí, eis o porque eu não me considero um olavete, ainda mais por ter sido um dos que ele espinafrou no Facebook alguma vez), creio que eu esteja enquadrado no mesmo estilo. É comum que eu cite um exemplo rebuscado e erudito na mesma frase em que cito um dito popular ou uma escrotidão do Programa do Ratinho. O popular de verdade é algo que não se pode de nós separar. É a alma dos velhos, é um passadismo, é um repositório de bom senso e choque perante a casta dos engomadinhos morais e estéticos. E aquele que se nega o direito de ser popular encolhe também o seu repertório, reduz a sua comunicação. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas!










sábado, 15 de novembro de 2025

O salário do pecado é a morte.

Nós, como sociedade, jamais deveríamos admitir que uma Erika Hilton ou aquele outro travecão lá de Minas Gerais (Duda Salabert) estivessem na política, pudessem disputar eleições ou sequer fossem admitidos em um partido. É gente que devia ser proscrita de qualquer tema. Um sujeito como esses é louco. Permitir que pessoas assim (e loucos menos exóticos, também) nos governem é sinal de que somos uma sociedade também de malucos ou pessoas ignorantes (pessoas que ignoram o poder político, deixando-o nas mãos dessa choldra).

A gente se emputece com os nossos direitistas e aí começa a ver alguma coisa coerente num tipo à esquerda, sei lá, num Aldo Rebelo (mas, poderia ser no Fernando Henrique Cardoso). Aí você volta à realidade de que a esquerda é manifestação política do poder de Satanás. É a ideologia da iniquidade. Com a esquerda não há diálogo.

Jamais deveríamos discutir absurdos como adoção gay, cirurgia de redesignação para crianças ou qualquer pauta lgbt. Temos que voltar para temas sérios, que hoje tratam como sepultados. Eu sou contra a lei do divórcio, por exemplo. Voltemos aos anos 40. O divórcio deveria ser admitido em termos muito específicos, como grave e reiterada violência e como o adultério. Fora isso, é um pecado contra Deus que uniu o casal. 

Tudo o que atenta contra a família é obra do adversário. Tudo aquilo que atenta contra o corpo humano também é obra do adversário. Ele quer a todo custo corromper a natureza da morada do Espírito Santo. Nisso incluo tatuagens (no sentido ordinário, comum e contemporâneo), uso de brincos, mutilações (como alargadores, mudança de sexo) e a perversão da própria imagem do indivíduo, quando ele incessantemente busca aparentar ser quem não, como os cosplayers -- a versão mais radical do fenômeno ou de pessoas que inspirem sua aparência totalmente nas modas e modismos. 

Como não notar que aquelas meninas, que entram normais num primeiro semestre de universidade pública, se transformam em manifestações demoníacas de pleno direito ao meio do curso?

Que Deus jamais me faça a esquecer a verdade testamentária: o salário do pecado é a morte.

Alon Confino: um mundo sem judeus. Breve resenha.

 Alon Confino me parece querer situar seu livro em uma história da percepção ou dos sentimentos, de como a sociedade alemã percebeu o fenômeno da perseguição aos judeus. Destaco que o autor normalmente utiliza em conjunto as palavras nazistas, alemães e cristãos em conjunto, procurando evidenciar que na sua perspectiva essas três dimensões da sociedade alemã são corresponsáveis pela elaboração de uma possibilidade de extermínio dos judeus na Europa e do apagar da história judaica. Ele situa o holocausto em contexto de outros genocídios, negando colocar esse evento em separado de outras mortandades étnicas ou religiosas, como o caso dos armênios ou de Ruanda. Porém, destaca que os nazistas viram a chance de eliminar o próprio demônio, pois, era assim que o nacional socialismo enxergou o seu inimigo. Ao contrário do liberalismo, cujo inimigo é a tirania, do marxismo, que enfrenta a sociedade de classes, do freudismo, que coloca o mal dentro do próprio indivíduo, o nacional socialismo identificou o mal objetivamente em um grupo étnico que desde o início da história procurou escravizar os arianos, razão pela qual os alemães deveriam extinguir os judeus da Europa. O judeu era a manifestação do mal. É o livro mal traduzido (tem erros claros) e o original talvez seja tão confuso quanto a versão traduzida, o que não impossibilita o leitor de compreender a tese de Confino. 


O turismo.

Qualquer governante que pensasse em fazer sua cidade, estado ou este país chamado de Brasil prosperar economicamente deveria pensar em turis...