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sábado, 28 de março de 2026

Curtas

 Eu tenho uma tese sobre isso do Rei Carlos, da Inglaterra, ser ora apresentado como um iniciado sufista, ora como um cripto judeu nato e oficialmente como chefe supremo da Igreja Anglicana, portanto, um cristão protestante e herdeiro do anglo-catolicismo. Tudo isso só é possível, de fato, dentro de uma estrutura esotérica sufista, se com relacionamento direto com o movimento guenoniano não sabemos. A Inglaterra, o maior império da história, em extensão, possibilitou que o esoterismo ocidental pudesse perscrutar o esoterismo oriental, nativo americano e africano. Nenhum outro império pode ter tanto acesso à  todas as matrizes esotéricas quantos os ingleses. Eu lamento muito por isso. O engano tomou conta. Meu interesse nisso é enquanto fenômeno social, fato histórico. Religiosamente a importância de tudo isso é nula. Toda teologia cristã já esculhambou isso. Lamento mais ainda pela bela Igreja Anglicana, hoje pervertida por sodomitas, feministas e liberais. Ainda há justos lá. Não serão totalmente aniquilados. Há uma chance de restauração.

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Talvez isso tenha acontecido em 2010. Mais tardar 2011. 

Eu lia um livreto daqueles de máquinas do metrô, em papel jornal, da editora Escala. Era um livro de aforismos e sentenças de Frederico Nietzsche. Me lembro bem da cena. Estava sentado no fundo do ônibus, ou da linha 576-C/10 ou da 5010-10, que saem de Santo Amaro e vão até o Jabaquara. Eu tinha esse hábito de sair mais cedo de casa e pegar vários ônibus para ir até Santana, por duas razões, para economizar com a integração com o metrô e para poder andar pela cidade e a observá-la. Para mim é sempre uma alegria olhar a cidade. Nesse dia, uma moça se sentou perto de mim e puxou conversa sobre o sifilítico filósofo. Eu estava no alvo daquela aranha que pretendia me arrastar para sua teia. Hoje, em período de Tinder, não sei se isso continua existindo, isso, digo, o flerte em locais públicos. Não ando mais de ônibus há muitos anos. Nas filas do supermercado ou nos atendimentos que faço na repartição nunca presenciei isso. Nem na igreja eu vejo algo semelhante. Não faço ideia de como as pessoas se relacionem mais. Talvez eu devesse ter me aproximado da teia daquela aranha. 

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By Richard Nadler. Uma coisa que me chama muito a atenção é como o automobilismo não diminuiu em interesse e vem renovando seu público entusiasta. Isso concorrendo com os jogos eletrônicos e as redes sociais. É visível que a Fórmula 1 no Brasil perdeu apelo nos últimos vinte anos, devido ao fracasso de novos pilotos brasileiros. Pós Barrichello e Massa, nenhuma nova expectativa se criou. Ainda assim, na escola, vejo moleques que gostam de corrida. Carros são realmente uma obra de arte da indústria. Nas corridas, uma obra de arte de artesãos.

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A falta de informação e a desinformação explicam a razão da direita política atual e dos evangélicos atuais serem abertamente e ostensivamente a favor do Estado de Israel. A falta de informação sobre como os judeus historicamente veem os cristãos, como o Talmud, o livro sagrado do judaísmo rabínico se refere à Jesus Cristo e à Maria Virgem, sobre como os judeus acham que são uma raça superior a todos os demais povos do mundo -- por direito divino e que quando o seu falso messias vier eles irão dominar todos os demais povos e nos fazer de escravos seus. Desinformação, ou melhor, mentira, ao perverter o dispensacionalismo, vertente cristã da escatologia, que vê a história da Igreja em eras de dispensação do poder divino, onde haverá o milênio literal. Na perversão difundida pela maçonaria judaica (via Bíblia de estudos Scofield), os judeus passam a ter um papel especial nesse processo. O cristianismo nunca aceitou essa tese herética, nem no catolicismo, nem no protestantismo histórico. Igrejas são fechadas em Israel. Israel que apoiou o ISIS, que colocou terroristas no poder na Síria e que hoje fecham igrejas cristãs na Síria. Roma versus Judea nunca terminou. Só há um lado correto nessa guerra, o de Roma. Judeus não protegem cristãos, ao contrário, nos atacam. Que se lasquem o quando for preciso na guerra em que criaram.

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A direita brasileira atual é uma só coisa: um híbrido entre o centrão fisiológico e neoconservadorismo americano. É péssima. Mas, não critique, não fale nada, senão o Lula se reelege. Uma direita brasileira que fica se estapeando num evento do Partido Republicano, o CPAC, só demonstra que estamos falando de vendilhões, não de patriotas. Nada me surpreende. Separatismo contra essa gente. O separatismo é sempre um cordão sanitário.

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Minha mente, diariamente, me leva em lugares da cidade de São Paulo. Estou pensando em alguma coisa qualquer e vejo um frame da Avenida Vereador José Diniz. Estou dirigindo e vejo na mente a Avenida Pompéia. Noutra hora estou transplantado para a Avenida Sapopemba ou a Rua da Mooca. Isso me lembra que ontem, andando pela região da Saúde e do Planalto Paulista eu fiquei espantado como a cada dia que ando em São Paulo eu conheço uma rua nova, um pedaço novo da metrópole e dela não me enjoo. São Paulo é única e irrepetível. É a maior cidade do mundo. É o mundo.

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O nacionalismo brasileiro parece estar em processo de uma nova onda, impulsionado pela saída de cena do nacional desenvolvimentismo do Ciro Gomes, com o fracasso total do PDT, que se converte em simples legenda alternativa ao PT, portanto, refém do esquema de juros altos e máfia dos bancos, do qual o PT é o grande representante e pela paralela ascensão do ex-comunista Aldo Rebelo, que não se pode negar o espírito de Policarpo Quaresma de longa data, raposa velha da esquerda parlamentar que se cansou dos conchavos parlamentares e deverá sair candidato à presidente. A velhice dá esses ataques de coragem. Aldo já foi ministro várias vezes, deputado federal, presidente da câmara, eminência parda. Agora quer tentar arriscar disputar a presidência, talvez mais para denunciar o esquema político que aí está do que qualquer outra coisa. Acho que ele está certo. Apesar de ser um opositor total ao nacionalismo brasileiro, acho que para o primeiro turno uma figura como Aldo Rebelo é digna de receber um voto. Não por outra razão senão pela ausência de coisa melhor na disputa. Já votei no Eymael e no Levy Fidelix. Agora o micro candidato é ele. No segundo turno é só o anti-PT mesmo. 

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Meta profissional: passar a semana enrolando para escrever uma coluna para um jornal de domingo. Ser fartamente remunerado por isso. A Mega Sena é um sonho mais factível.

sábado, 21 de março de 2026

Curtas

 Aleksandr Dugin é um nome muito falado no meio conservador brasileiro. O debate que teve com Olavo de Carvalho, em 2011, sobre a Nova Ordem Mundial ressoa até hoje. Os comentaristas políticos falam em sua influência se estendendo até o Estado Maior brasileiro. Eu não duvido. Eu li esse debate. É um livrinho fácil de ser lido, embora a discussão seja cansativa pelos dois lados. Recentemente li outros livros sobre a influência da escola perenialista, da qual Dugin é um filhote indireto, na política. Entendo, assim como outros, que a sua relevância é inconteste. É um pensador que mistura escatologia, milenarismo e gnosticismo. Seria possível um tradicionalismo político paulista, nos moldes do modelo que Aleksandr Dugin pensou para a Rússia? Qual o papel teleológico que São Paulo tem no concerto da história das nações? Haverá uma escatologia política paulista?

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O Agente Secreto não é filme ruim. Diria que ele não é ruim não só em comparação com um filme brasileiro. Ter como panorama histórico algumas maldades genéricas da ditadura militar não é um problema. O Brasil teve uma ditadura militar. Eu gostaria que fizessem mais filmes mostrando os crimes da ditadura Vargas. É um assunto que precisa ser explorado. Mas, não me parece que a ideia que os autores tinham era vender a coisa como um filme a mais sobre o governo militar. A ideia é de um drama ambientado nesse contexto histórico. O filme tem méritos técnicos. Um Peugeot 206 também tem seus méritos técnicos, ainda assim, nem o filme, nem o carros são dignos de aplausos.

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Leio notícia que o deputado Hélio Lopes, vulgo, Hélio Negão, teria mudado seu domicílio do Rio de Janeiro para Roraima. A mudança indiscriminada de domicílio eleitoral, como hoje permite a legislação eleitoral, precisa ter um fim. Hélio Negão não conhece as necessidades e a realidade de Roraima, assim também o governador Tarcísio de Freitas não tem nada a ver com São Paulo, não tendo nenhum vínculo com a Pátria Bandeirante, ainda assim, o sistema aceitou que ele estabelecesse domicílio eleitoral, em 2022, na cidade de São José dos Campos, onde seu vice, Felipe Ramuth já tinha sido prefeito. Tudo combinado, é claro. A ideia de que um sujeito pode disputar uma eleição em qualquer buraco que não more reforça a ideia de que políticos devem ser sujeitos técnicos, um certo tipo de burocrata ou ser super esclarecido, pouco importando a sua origem. Discordo. Políticos devem morar no rincão que representam. Devem ter identidade com sua cidade e estado. O Brasil, que ama a regulação estatal, precisa regular melhor isso.

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Eu tenho medo de políticos que tenham visão modernizadora. Mais medo ainda tenho daqueles que mais que a visão tem a ação modernizadora. Na estação que passamos, devemos olhar mais para trás. O futuro é só tristeza. Precisamos evitar que ele chegue a todo custo.

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Lula agora está usando chapéu. Está querendo seguir o modelo do Aldo Rebelo? Aliás, a ideia de ter que votar no Aldo Rebelo, comunista e palmeirense, muito desagrada. Porém, nesta vida tereis aflições...

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Sempre achei que escola não é lugar para religião. Especialmente escolas públicas. Aliás, escola não deveria ser lugar para violência, mas é, não deveria ser espaço para quem não tem vocação mínima para o estudo, mas é, não deveria ser espaço para assédio, mas é. Não deveria ser espaço para um monte de coisas, mas é. A escola é tudo aquilo que ela não deveria nem poderia ser. 

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Em que ano essa história deve ter se passado? Eu estimo em 2008. Meu pai estava internado em hospital que foi fechado há mais de dez anos. Acho que estava com uma camisa cinza chumbo, a mesma que usei na foto da minha reservista. O velho tinha uma plêiade de doenças. Dessa vez a internação tinha a ver com o intestino. Me lembro que nessa internação eu dei banho nele com a mangueirinha da ducha higiênica do apartamento do hospital e que essa ducha parecia tão forte como uma Wap. Um dia, nesse período, minha tia resolveu visitar meu pai e eu fui junto por alguma razão. Essa minha tia é uma versão do Ronald Golias de saia, pelo sotaque paulista carregado e pela generosidade. Desse dia com ela eu ainda me lembro de algumas coisas: nós dois parados no ponto de ônibus central, do corredor, de um motoqueiro que foi abalroado na pista ao lado. Me lembro de ver alunos do cursinho do Objetivo saindo da aula. E me recordo que minha tia mexeu no meu cabelo e falou: "você está com cabelo duro, isso é coisa de preto". A fala não me causava surpresa nenhuma. Meu pai tinha a mesma fala dela, afinal, eram irmãos. De tanto lavar o cabelo com sabonete, meu cabelo ficou mais crespo. Depois, quando o dinheiro voltou a possibilitar que se usasse shampoos em casa, o cabelo alisou para o normal, novamente. Meu pai já foi há quinze anos. Essa minha tia nonagenária está aqui entre nós. É ótimo ter tias. E ter pai.



sábado, 7 de fevereiro de 2026

Curtas

Getúlio permaneceu no poder por 19 anos (1930-1945 e 1950-1954). O Lula pode encaminhar, na sequência, mais um mandato e fechar sua carreira com 16 anos de presidência. É claro que o Barba vai se comparar com o Caudilho. Na verdade, ele o imita. Mas, a bem da verdade, a Dilma do Getúlio, que foi Juscelino, foi muito mais competente. 

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"A coesão nacional é um fator inseparável da liderança, as maiorias e minorias nacionais se perderão nos desvãos sectários da polêmica estéril e a nação se desencontrará de seu destino. Sem liderança não haverá objetivo, não haverá convergência, não poderá haver força, potência." 

(General Carlos de Meira Mattos) (1975: 102) 

Hoje, General, felizmente, continuamos sem liderança, o que muito me alegra, pois, possibilita que os ânimos separatistas possam continuar em efervescência. No breve e não distante período em que tivemos um presidente militar, um "mito" nasceu e arrebatou o coração de um milhão de pessoas. É mister que não surjam novos mitos para o Brasil, antes que nasçam 27 mitos para as Pátrias Estaduais.

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'General J. B. Gordon at Gettysburg' by Don Troiani

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A Moóca tem um soft power imenso. Não me ocorre outro bairro paulistano que pareça emanar tanta poesia, talvez o Brás, que no fundo é a mesma coisa que a Moóca. Os Alcântaras Machado de hoje precisam cantar novos velhos bairros. Um Jabaquara, um Brooklin, um Planalto Paulista.

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De mais a mais, São Paulo é um mundo especial, zeloso e de boas obras para cronistas. Ou ainda é, enquanto os condomínios sem alma não forem reis totais da paisagem. A tristeza que é ver bairros, como a Vila Mariana, para citar só um exemplo, que se verticaliza não em terrenos vazios ou que outrora tenham sido ocupados por fábricas, mas, no lugar de várias casas e sobradinhos. Não é nostalgia. É estilo de cidade que está sendo feito. São Paulo adora o soterramento. Já foi demolida e reconstruída muitas vezes e assim permanece esse movimento. Mas, nada como o condomínio alterou tanto a realidade como hoje.

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Afora o tempo de criança, quando era passeio da escola pública ir ao cinema, fui poucas vezes ver algum filme. O último que vi foi o Coringa, no cine do Shopping Boa Vista. O Google me informa que isso foi em 2019. Dois anos antes, no cine do então recém inaugurado Shopping Morumbi Town, vi O destino de uma nação -- filme que achei ótimo. Voltando mais no tempo, fui em 2010, com a rapaziada da faculdade ver algum blockbuster no Shopping D. Ou seja, fui só três vezes no cinema nos últimos 16 anos. Li ontem que o Playarte do Ibirapuera será fechado. Eu mesmo nem lembrava que ali tinha cinema. As pessoas não querem mais ir ao cinema, com a facilidade das tvs enormes de LCD em casa, com o streaming e com o custo. O estacionamento é no mínimo vinte cruzeiros. Um refrigerante de máquina e uma pipoca murcha com corante cinquentinha. Fora o ingresso. É um passeio custoso. Exceto se você usar o espaço para namorar, não vejo sentido em ir ao cinema. E, na mesma linha do Apóstolo São Paulo, vou seguindo aqui sem ter razões de ir ao cinema. 

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Vi, ou li, o Olavo certa vez falar que ele misturava Aristóteles com Alborghetti. Apesar de ter sido influenciado por ele na formação intelectual (muito menos do que qualquer olavete por aí, eis o porque eu não me considero um olavete, ainda mais por ter sido um dos que ele espinafrou no Facebook alguma vez), creio que eu esteja enquadrado no mesmo estilo. É comum que eu cite um exemplo rebuscado e erudito na mesma frase em que cito um dito popular ou uma escrotidão do Programa do Ratinho. O popular de verdade é algo que não se pode de nós separar. É a alma dos velhos, é um passadismo, é um repositório de bom senso e choque perante a casta dos engomadinhos morais e estéticos. E aquele que se nega o direito de ser popular encolhe também o seu repertório, reduz a sua comunicação. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas!










quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Curtas

Prova de como ficamos vagabundos. 

Quinta-feira é o dia do rodízio do meu carro. Fico atado a não passar nas marginais ou ir além do Aeroporto de Congonhas. É um saco. Eu queria ir no Bom Retiro nesse dia, mas, a ideia de ter que pegar um ônibus, descer em Santo Amaro, pegar o metrô, fazer baldeação na Santa Cruz e descer na Luz e andar meia José Paulino até chegar onde queria não está em cogitação. 

Em 2010 faria isso sem qualquer óbice.

Virei um vadio dependente do carro. 
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Conto a história em passagens futebolísticas. 

Em 2003 me lembro claramente do encanto que foi ver Marcelo Gallardo desfilar com a linda camisa do River Plate, na Libertadores daquele ano. 

22 anos depois ele é um tiozinho atarracado que treina o mesmo River.

É difícil pensar que se passaram 22 anos. E eu ainda estou no mesmo lugar, na mesma casa, sob o mesmo teto. Verdade é que meu pai já não está aqui. Um dos meus irmãos, eterno passageiro desta morada, também já foi para a "Terra do Pé Junto" e o mais novo não mora mais aqui. Estou eu e minha mãe. A rua não mudou. As casas são quase todas as mesmas. Alguns vizinhos foram embora, outros morreram, outros ainda estão aqui. 

As minhas memórias são um monumento. Queria poder registra-las todas. 
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Existem sensações que parecem únicas, que só você mesmo as sente, embora ao seu lado, naquele local e hora, existam outros tantos vivenciando o mesmo. 

Dizem que não existem experiências únicas. Talvez seja verdade. Mas, compartilhamos todas as sensações ou as sabemos descrevê-las bem o suficiente para os outros nelas se identifiquem? 

Uma tarde quente de domingo, com ameaça de chuva. Duas centenas de músicos. Irmandade cantando. A luz não cem por cento acesa no salão. Poucos lugares vazios para sentar. Mais trinta ou cinquenta lugares disponíveis para músicos? Talvez, não mais do que isso.

Há algo belo na arquitetura singela, igualitária e simétrica das congregações. Não há poluição. É um brilho que precisa ser admirado. Não é preciso ser barroco. O protestantismo que para no tempo tem essa beleza. O continuado é um assombro, faz mal. Templo não é cinema. Precisa ter luz. 
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A direita do X vive descendo a lenha quando alguém fala em alta cultura. Presumir-se-ia tratar-se de uma cultura que beirasse os dois metros, pelo menos. Ficam cheios de caras quando alguém diz que escuta André Rieu. A nova direita é arrogantemente católica. É um péssimo defeito. E essa arrogante direita, católica porque chique, acha o quê, que se deve ouvir cantos gregorianos em latim, apenas? Ler George Bernanos, apenas? Aliás, tudo cascata! Nunca leram Bernanos. Leem posts do Instagram, quando muito. 

Eu continuo ouvindo André Rieu. E Richard Clayderman. E todo o easy listening. É ótimo. 

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Curtas

A política externa do Governo Lula III é inexistente. Não demonstra ser o reflexo de nada além de mero pragmatismo barbante, ou melhor traduzido seria: empurrar com a barriga o país mais ainda ao anti americanismo. O Brasil está fadado a permanecer como colônia de exploração, agora chinesa. A direita bolsonarista representa a reação: quer que o país permaneça como colônia americana. Eu, como sou arquitradicionalista quero retornar ao colonialismo europeu. 

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O BRICS nada mais é do que a continuação dos chamados "Países não alinhados". Nada de novo debaixo do sol.

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A máquina de propaganda do Kremlin continua trabalhando mundo a fora a todo o vapor, igual aos anos 1960. Se o comunismo morreu, a Rússia e o Comintern continuam agindo. O Imperialismo Russo é chaga que já tem alguns séculos, precede a URSS e a transcende. O seu fim só Deus sabe.

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Lyndon LaRouche e Norberto Keppe entram em um bar...

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E por falar no LaRouche, ele falava em uma conspiração entre Platão e Aristóteles, assumindo o lado do primeiro. Pergunto, quem manipulava a conspiração existencial antes dos dois filósofos gregos?



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Desde que a Marina morreu eu fico extremamente comovido com a notícia ou a ideia do falecimento de qualquer animalzinho de estimação. O pensar na morte que acontecerá de qualquer um dos meus gatos já me arranca lágrimas. 

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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Curtas

 Sejamos francos e realistas, a vida na grande metrópole não pode ser democrática, pois, considerando o império do número e do volume, não se pode esperar democracia real. Eleições não significam democracia. Na cidade de São Paulo com mais de dez milhões de moradores não pode haver democracia, pois por seu gigantismo e dinâmica da vida, não pode haver participação do indivíduo nas decisões do estado. A única coisa popular em grandes metrópoles e que realmente é fruto das decisões individuais é o comércio, o mercado. A única manifestação de democracia na metrópole está contida no desditoso livre mercado.

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Populismo: o que começa em fúria termina em fadiga.

Não causaria nenhum espanto que após tanta grita e conflito entre o populismo bolsonarista e o populismo petista um novo governo aparecesse, com um sujeito anêmico, tísico, esquálido, cinza, sem sal e açúcar, que não entusiasmasse, antes passasse desapercebido da opinião pública. Um Eduardo Leite ou um Zema. 

Até que não é má ideia passar um lustro de tédio.

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Leio notícia de que os antigos proprietários da Tok & Stok (não confunda com Tik Tok) compraram a Mobly, que, atualmente, era a controladora da própria Tok & Stok. 

O varejo passa por uma crise gigantesca. 

A margem de lucro dos supermercados, por exemplo, gira em torno de 1,5%, ao ano. Baixíssima. É ramo de risco, ainda que todos dependam dos mercados. 

No ramo de bazar a coisa vai pior ainda. Com a internet se mostrando mais e mais confiável como local para se fazer compras, magazines e lojas de departamento servem mais como mostruário ou como local onde se compra algo quando se está com muita pressa e não se pode esperar o que foi comprado pela internet ser entregue. 

Essa mudança na maneira de se comprar as coisas tem afetado a paisagem urbana. 

Regiões de comércio cada vez mais se veem dominadas por placas de aluga-se. Esse é o grande empreendedor da vez. Andando no Centro de São Paulo o que mais se vê são estabelecimentos comerciais fechados e para alugar. As regiões centrais precisarão ser reinventadas, sobretudo restaurando o império das moradias e o comércio de dia a dia: padarias, vendas, farmácias, quitandas, cabeleireiros, tinturarias, avícolas, etc.

Yakov Chernikhov. "Architectural Fictions," 1933.

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Eu estou convencido que a população mundial do século XXI é obesa e tem outras tantas novas doenças por que estamos sendo envenenados com comida geneticamente modificada, planejada para criar doenças ou mutações genéticas que moldem um homem novo. Um velho italiano que morreu nos anos 1950 passou a vida comendo macarrão todo dia e nunca teve problema com glutem. Bebíamos leite gordo (A ou B) todo dia e não tínhamos intolerância à lactose. Não existia uma epidemia de autistas ou pessoas com Tdah. O que era borderline? 

E, digo mais, não me consta que essa galera que se acha fitness seja mais saudável do que os velhos e velhas do carteado na praça. Podem fazer muito exercício e acharem que comem saudável, mas, se enganam. Não confio nessas coisas que se dizem orgânicas. Pra mim é tudo enganação para uma seita de fanáticos veganos comunistas. Querem comer coisas naturais? Saiam das cidades grandes, voltem para o campo e plantem suas hortas e criem suas galinhas caipiras, com ovos de gemas super amarelas. Ai começamos a conversar.

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Sempre desconfiei.

Em algum momento fui levemente simpático à Igreja Presbiteriana do Brasil.

Se fui, não sou mais.

Hoje tenho mais simpatia por todas as demais igrejas históricas: luteranos, anglicanos, morávios, metodistas, salvacionistas, batistas e tais.

Apesar de crer que ideia da soberania absoluta divina, nisso incluindo a questão da predestinação das almas eleitas para a salvação, tal como eles calvinistas presbiterianos dizem crer, vejo a Igreja Presbiteriana como uma denominação que não procura manter um diálogo aberto com as demais denominações. Como dão muita ênfase ao estudo teológico, numa época de grande vaidade intelectual onde não é cult ser pentecostal, acabam atraindo evangélicos de outros ramos pelos encantos e vaidades da retórica. Azar o daqueles que se deixam atrair por esse falso brilho (como aqueles que procuram o catolicismo pelo esplendor litúrgico ou arquitetônico, ou os que procuram as igrejas ortodoxas pelo tom soturno de seus rituais). 

O calvinismo é sinônimo de presbiterianismo. Não sou calvinista. 

sábado, 1 de março de 2025

Curtas

 Li esses dias que há milhares de vagas de emprego no setor supermercadista de São Paulo, mas existe uma dificuldade gigantesca em suprir essas vagas, pois, considerando a remuneração baixa que é ofertada, o trabalhador em potencial desse ramo de atividade prefere manter-se na informalidade, juntando a grana que faz com bicos com o dinheiro que o governo lhe dá, via Bolsa Família. Eis ai um exemplo vivo de como a interferência do estado na economia é, quase sempre, fonte da criação de distorções piores do que a sua inação geraria. Estamos diante de uma geração de gente que se acostumou a comer das mãos do governo, a esperar que tudo venha do estado, que o poder público onipresente resolva todos os problemas da sua vida, seja a cura de um câncer, uma unha encravada ou a educação de sua prole. Não tardará e surgirá um vale ou bolsa cabeleireiro, bolsa manicure, bolsa cílios e sobrancelhas, etc. E o povo continuará esperando sempre mais e mais benefícios estatais. Horda de inúteis. Precisamos voltar ao darwinismo social. 

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Tenho a mente inquieta com a criação de projetos. Projetos com os quais eu não tenho nenhuma relação ou ligação direta. Planejo cidades, bairros, linhas de ônibus, projetos de infraestrutura industrial, reformas de igrejas, criação de empresas e comércios. Nada do que planejei nesses campos, desde a infância até a presente meia-idade jamais esteve perto de se realizar e, fatalmente, até o findar do meu labor nesta vida, jamais estarão. Sou tão maluco que planejo uma reorientação geopolítica da América do Sul, pregando a dissolução do Brasil enquanto estado nacional e a criação de novas repúblicas independentes menores, se bem que neste caso particular, há um enorme grupo de pessoas que também planeja isso e se articula para que um dia a realidade geopolítica sul-americana e mundial assista o nascimento das novas repúblicas soberanas da América Portuguesa. Essas ideias jamais me causaram qualquer prejuízo. Entendo que são positivas. São o resultado da fertilidade da minha imaginação. Tolkien criou o mundo do Senhor dos Aneis. Eu tenho um mundo novo criado todos os dias na minha cabeça, que, invariavelmente, se passa na cidade de São Paulo. Ao menos, está na porta de casa.

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Lutero deu o exemplo. Estando em uma igreja, não sendo possível reformá-la, como era seu intento original, é melhor apartar-se dela. Os protestantes, no geral, entendem bem essa lógica. Não todos. Na Congregação tem existido um fenômeno desde os anos 2000, que é a saída ou afastamento compulsório de pessoas da comunhão da igreja, mas, por rancor, essas pessoas fazem de sua profissão de fé o maldizer da antiga denominação. Tivessem sabedoria sairiam e buscariam alguma outra denominação, onde a sua visão de cristianismo estivesse mais bem acolhida, ou ainda, caso fosse, que criassem uma nova denominação. Mas, nem uma coisa nem outra. A fé dessa gente é malhar a velha casa. Agora, um sujeito recentemente expulso, por negar disciplina e o código de ética do corpo ministerial, está se vendendo como vítima. Tem método, não humano, mas do adversário nisso aí. Colocar é fácil, difícil é tirar do ministério.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Curtas

 Na Inglaterra, dizem as notícias, grande está a pressão sobre o premiê Keir Starmer, do partido trabalhista (a esquerda de lá). O motivo: seu governo tem sonegado o grande número de paquistaneses que formam gangues para estuprar meninas e mulheres brancas (o detalhe racial é essencial). A razão da sonegação é para evitar uma onda de islamofobia na Inglaterra.

Tenho pra mim que a Europa, no geral, e em especial, os países da banda ocidental, estão todos de quatro socialmente perante a invasão de hordas do terceiro mundo, da África e do Oriente. O europeu não tem mais filhos. A economia europeia é baseada somente em arrolamento de dívidas. O europeu se tornou indolente e folgado, não é mais laborioso. A organização social europeia está claramente ruindo aos nossos olhos. Que destino, homem branco! Fruto de suas escolhas, quase um século atrás, quando preferiu as cantilenas liberais e socialistas. A Europa é um continente de ateus. O europeu não quer saber mais de religião cristã. Não adianta mandar para lá missionários das Américas, porque o europeu está com seus ouvidos tapados para as verdades evangélicas. Os países europeus cairão um a um, primeiro os do oeste e, depois os do leste, daqueles que não se protegerem dos vírus liberais e ateus (a Hungria, provavelmente, deve ser uma ilha de resistência, outros dizem o mesmo da Polônia, mas duvido).

A Inglaterra se quiser ser restaurada não precisa de um gás vindo da monarquia, antes precisa de um novo Lord Protector, Oliver Cromwell. Ele sepultará a decrépita e traidora família real (liberal e  muçulmana) e colocará os imigrantes para fora do país. Promoverá uma imigração selecionada de países claros, de populações cristãs e bem formadas e preparadas para o mercado de trabalho. É isso ou nada. É isso ou não existirá uma Inglaterra cristã ao dobrar o limiar do próximo século. Não é ruim que sírios ou iraquianos cristãos emigrassem para a Inglaterra. Não teriam dificuldades de se tornarem autênticos ingleses em meia geração. Esse é um repovoar certeiro e possível. Barrar o islã, o indostanismo e o africanismo é urgente.

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O Governo do PT está alardeando, via imprensa comprada, que o Brasil voltou a ser um país de renda média. Ou essa turma do jornalismo está usando drogas mais pesadas do que o habitual ou está chovendo dinheiro, como nunca, na cabeça dessa gente. Nunca se viu tantas pessoas morando nas ruas. As esquinas de São Paulo estão repletas de drogados zumbis. O Brasil tem milhões de sustentados pelo estado, que passam o dia coçando o rabo sem perspectiva nenhuma de reingressarem no mercado formal de trabalho. Os preços nos mercados são exorbitantes. Nem a classe média real, gente que tem lá a sua renda per capita por volta dos r$ 3.000,00 vive com luxos. Qualquer carro 1.0 sem ar condicionado custa r$ 80.000,00. O brasileiro não come carne ou lácteos todo dia. Ainda assim essa raça maldita do governo quer dizer que o Brasil é um país de classe média e renda média? Por isso eu defendo o fim do Brasil. O brasileiro merece alguém pior que o Lula.

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E se preparem, faz tempo que tenho alertado à algumas pessoas que o Brasil vai passar por uma bolha imobiliária muito forte. A cidade de São Paulo é um grande canteiro de obras. São centenas de empreendimentos imobiliários de prédios subindo, seja para uso residencial, seja para uso comercial. A economia não cresce para acompanhar esse ritmo de construção, absolutamente inflado pelo governo, por meio da Caixa Econômica, que financia essas construções. É muito difícil que a população pobre possa comprar um simples apartamento (ou apertamento) de 37 metros² sem direito a vaga de garagem. Restam as favelas, as invasões, os loteamentos clandestinos do PCC nas áreas de mananciais ou nas franjas do município. Ou sobra o aluguel, que não é barato para a renda média real do país (para a renda oficial do governo do PT o assalariado vai pra Disney todo ano).

Grosser Gott wir loben Dich