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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Simone Weil

 A superstição do progresso é o veneno que corroi nosso tempo.

                                                                                Simone Weil

quarta-feira, 16 de março de 2022

A ditadura dos dias futuros.


"Vivemos uma crise manifesta e contínua: o homem não está mais no rumo da cidadania, mas sim no caminho de se tornar um novo tipo de sujeito passivo, numa servidão do estado social e industrial moderno, com sua perfeição técnica. E perfeição técnica logicamente significa governo autoritário. Em vista dessa hierarquia tecnocrata, todo sistema ideológico experimenta sua impotência".

(Tage Lindbom)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Arqueofilia, o amor ao passado

Boa parte, de uns tempos para cá, eu passo boa parte do tempo no YouTube assistindo a entrevistas do programa do Jô Soares. Preferencialmente aquelas mais antigas, dos anos 1990 ainda no SBT.

Aquele cenário com a cidade ao fundo me é nostálgico. Minha memória está muito associada aos fins da noite, quando poucas vezes, quando criança assistia ao programa de entrevista do velho gordo. Poucas vezes por algumas razões, primeiro por que era exibido nas altas horas da noite, já adentrando a madrugada. Segundo, por que minha mãe, que é quem controlava a TV não simpatizava com o programa do Jô. Achava-o exibido. 

Mas aquele papo moderno, cosmopolita, que imitava o que se passava nos filmes e seriados americanos, me era muito atraente. 

Essas lembranças compõem o nosso imaginário, nossa memória visual e afetiva e auxiliam na construção de nossa própria personalidade. Penoso me seria perder a memória. Não saber quem se é seria a própria morte, a perda de toda a identidade e o completo deslocamento da existência material própria.

Por essas e por outras é que tenha tão acentuada tendência ao conservadorismo. É uma tentativa desesperada de poder parar o passar do tempo. É não querer, em pequena parte, encarar desafios desconhecidos, mas, sobretudo, do amor ao passado, o espírito de arqueofilia, que nos empurra para o passado, por que não podemos deixar de ser quem somos. No fundo, é a sobrevalorização do próprio ser.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Esoterismo e pensamento moderno

Estudando sobre o movimento da Escola Nova, muito famoso no Brasil por meio de Anisio Teixeira, responsável por uma série de reformas educacionais nas primeiras décadas do século passado, chego a Adolphe Ferriere. Este pedagogo suíço é considerado o principal pensador dessa corrente da educação no período e até hoje é uma referência nos cursos de formação de professores. Para minha surpresa, Ferriere foi amigo próximo de Karl Ernst Krafft, matemático e astrólogo também suíço. Kraft, por sua vez, ficou famoso por ser o "astrólogo de Hitler". 

É curiosa a aproximação que existe de vários campos do pensamento moderno e contemporâneo, com os diversos ramos e escolas do esoterismo. Muito mais eu poderia escrever aqui sobre isso, mas deixo esse apontamento como registro.

http://astrologianapratica.com.br/blog/krafft-o-astrologo-de-hitler/
https://fr.wikipedia.org/wiki/Adolphe_Ferri%C3%A8re

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Livro "Emil Cioran, a crítica à ideia de progresso histórico"

Li o livro escrito pelo reverendo luterano Daniel Branco sobre o pensador franco romeno Emil Cioran. Considero o livro uma boa introdução ao pensamento de Cioran.


"Cioran sabe que [...] cada civilização tem dentro de si o desejo de subsistir [...] ser grande como a areia do mar [...] Existe, entretanto, uma parte da realidade que não é lembrada: a decadência, a queda. O que as civilizações chamam de progresso é o seu tempo de colheita, parte da história onde ela ocupa um efêmero trono. Todo reinado, no entanto, acaba. A vida do rei não é eterna. Não existe também herdeiro que o traga de volta a vida. Toda a civilização entrega o seu trono a outra e, não havendo mudanças no ciclo da História, pois todo rei é humano e ocupará o trono somente durante os anos determinados para todo homem viver, dentro de pequenas variáveis, a História vence o intento de qualquer império de 'eterno'. "


domingo, 23 de abril de 2017

A fé socialista e a decadência moderna

Estou muito impressionado com o livro Uma Nova Idade Média, do russo Nikolai Berdiaev.

A sua capacidade descritiva dos problemas mais profundos da sociedade ocidental moderna é impressionante. A atribuição dos males do mundo contemporâneo à degeneração do espírito renascentista para o humanismo é certeira. O liberalismo e o socialismo são dois fenômenos que somente podem existir por esse passado que se inicia no renascimento, passa pela reforma, pelo iluminismo e decaí para o humanismo, onde, na raiz disto tudo, se encontra a revolta do homem contra Deus, querendo aí eliminar a verdade divina da vida humana, em particular da esfera pública. Quando se elimina Deus da história alguém vai assumir o papel de protagonista e claro é que será o homem. 

Ele aponta também o problema do liberalismo e mostra por que o socialismo triunfa sobre esta primeira posição ideológica.

Os liberais vão ver no homem um átomo, completamente desligado dos demais átomos, sem guardar com eles nenhuma relação, colocando como verdade única o direito do indivíduo a escolher, dentro do processo democrático. Ausente de verdade há total ausência de valor, logo, concluo, a democracia burguesa é, por excelência, a democracia do ateísmo, pois exclui Aquele que é a essência de todos os positivos valores.

O socialismo, contudo, constrói uma espécie de confissão, onde os elementos presentes em sua narrativa ocupam papéis que outrora se encontravam no judaísmo e no cristianismo. Israel não mais é a nação eleita, que agora é o proletariado. Deus não é mais Deus, mas a História. O paraíso, tal como para os Testemunhas de Jeová, se dará aqui na Terra, quando o povo eleito estiver preparado para tal. O socialismo, por não ser democrático, constitui uma fé, baseada em uma verdade, logo, mais forte e resistente aos tropeços do que a democracia, em última instância. Os socialistas viram que para ter o poder este precisava ter como fonte uma autoridade superior, um deus, que desse legitimação ao exercício do poder pelo partido.

Digo que a liberdade do povo deveria ser limitada, pois é essa liberdade completamente ausente de verdades que dá ao indivíduo atomizado a autonomia para negar tudo o que é bom, tudo o que é reto, tudo o que é justo e tudo o que vem do bom senso. A democracia conduz ao socialismo e o socialismo é a negação da próprio regime democrático.

Também destaco outra ideia, que ao analisar a revolução, enquanto fenômeno tipicamente moderno, Berdiaev nos diz e alenta, que aquilo que se perde com o fervor da ação revolucionária é apenas a espuma das estruturas, o que não é eterno, mas aquilo que é efêmero. Tudo o de perene que possa ter sido perdido, pode, também, ser recuperado, pois é uma verdade e, como tal, mesmo que negada não pode ser destruída.

Há, portanto, um clamor para que um retorno de Deus ao Estado aconteça. A saída para a decadência generalizada do mundo é substituir o paganismo instaurado na modernidade pela autêntica fé Cristã, enxergando no modelo de fins da Antiguidade (decadência da Roma pagã) e início da Idade Média (época Cristã regeneradora do espírito do homem dentro da linha do tempo da história - não falo aqui da regeneração da Graça que cai individualmente sobre cada eleito) um caminho para fazer com que o Ocidente confesse seus pecados, arrependa-se de seus erros e volte a estar abrigado, em uma comunhão orgânica, sobre o poder regenerador do Todo Poderoso.

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sábado, 17 de novembro de 2012

A fé de Abraão

O filósofo dinamarquês Soren Kierkgaard.
"Movido pela fé abandonou Abraão a terra de seus antepassados e foi estrangeiro na terra prometida. Abandonou algo, a sua razão terrestre, por outra, a fé; se meditasse quão absurda era a viagem, jamais teria partido. Por causa da fé foi estrangeiro na terra prometida onde nada havia que evocasse o que ele amou, onde a novidade das coisas gravava em sua alma a tentação de um amargo arrependimento. Entretanto, era ele o eleito de Deus, aquele no qual o eterno se revia! Verdadeiramente, se fosse deserdado, destituído da Graça de Deus, compreenderia melhor esta situação que parecia ridicularizá-lo e à sua fé. Existiu também no mundo quem vivesse exilado da pátria amada. Não foi olvidada, como não foram esquecidas as suas queixas entretecidas ali onde ele, em sua melancolia, buscou e achou o que perdera. Abraão não nos deixou lamentos. Sentir-se apiedado de alguém e chorar com alguém que chore é humano, porém é maior aquele que acredita e mais reconfortante ainda é contemplar o crente." 

KIERKEGAARD, Soren. Temor e Tremor. SP.: Saraiva, 2012. pp.25.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sempre avante

Relendo breves e não tão breves textos escritos por mim no ano de 2008 em blogs que já não mais estão disponíveis ao público(porque eu os fechei) deu para notar como minha escrita e minha linha de raciocínio permanecem de certo modo bastante inalterados. Me refiro aqui ao modo de escrever e não sobre os assuntos ou como abordá-los.

Certamente, se trata de uma característica cuja natureza não sei neste momento precisar, mas fico feliz em ver que mantenho-me fiel a mim, sem fazer uso de nenhuma revolução, apenas pequenas e pontuais reformas.

Ok, que uma vez bronco sempre bronco, pero sempre avante no desenvolvimento, pelo menos no espírito dessa palavra, porque senão seu sentido pouco valeria, e o que iria restar nada além seria de conformação e consumação do tempo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vistam-se

Você tem por volta de vinte anos e durante toda a sua vida, em linhas gerais, passou ouvindo ideias e tendo muitas delas como coerentes e aplicáveis em maior ou menor modo em sua vida, entretanto devido a múltiplas condições você não conseguiu alcançar um estágio de percepção da realidade além do imaginário e deturpado pelos seus interesses momentâneos e analíticos do visível, sua percepção transcendental é medíocre, ou até mesmo não. Em alguns casos o sujeito pode ter até alguma experiência, mas por alguns momentos e daí por diante não mais dela lembrar ou fazer o uso correto.

Durante sua vida sempre a religião esteve presente, independente de qual seja, e não aqui me refiro às contribuições inumeráveis que ela dá a organização da vida em comunidade, falo especificamente de ir ao templo, assistir um culto ou missa, sentir algo diferente em relação àquele ambiente e o que ele transmite espiritualmente ao indivíduo. Isso lhe foi agradável e fez você jubilar em diversos momentos. Você gosta da religião e da espiritualidade e de tudo o que ela lhe proporciona.

Chegando a faculdade, toda a atmosfera de alguns mais experimentados e conscientes, plenos materialistas falam, falam, balbuciam louvando a ação humana e o que por ela é produzida, o dinheiro, a boa vida que não se conseguiu e pensa que seguindo estas teorias conseguirá. Tudo isso é jogado em cima das pessoas.

Esse tipo de conversa é jogada e com ela o mais incauto vai assimilando, concordando e defendendo- a. Uma nova consciência toma o lugar daquela antiga e primitiva religiosidade intocada ou como disse, tocada talvez em algum momento.

Será que tudo aquilo que foi vivido não teve valor ? Não merece ser aproveitado e usado ? Mas como negar a reliogiosidade se ela foi quem te pariu ? Fez com que chegasse a faculdade, fez com que a humanidade se civilizasse, não vivesse caçando gatos para o sustento. Será que não perecebem para onde estão indo ?

Grosser Gott wir loben Dich