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domingo, 16 de setembro de 2018

O dia do Senhor

Talvez tenha sido até hoje Max Weber o pensador que mais tenha me marcado. Não digo apenas pela densidade e pela clareza com que enfrentou a análise de problemas sociais, mas a sua visão permeada pela religião me ajudou a conhecer melhor os fundamentos de minha própria fé cristã protestante.

Li, creio que em 2011, o livro "A ética protestante e o espírito do capitalismo". Li depois disso mais algumas obras dele. Todas me impressionaram sobremaneira. 


Max Weber


Em A ética protestante quando é tratado sobre a ideia de vocação dentro do cristianismo reformado tive a nítida compreensão do tema com relação às Sagradas Escrituras. A ideia do trabalho como um castigo pelo pecado original e a ideia de que fazendo bem o nosso trabalho estamos assim louvando à Deus.

Cito aqui um pensamento do doutor Martinho Lutero:


Um sapateiro convertido perguntou a Lutero o que deveria fazer para servir bem a Deus. Ele talvez esperasse o conselho de fechar o seu negócio e tornar-se pregador do Evangelho. Lutero respondeu: "Faça um bom sapato e venda-o por um preço justo". Ele serviria a Deus sendo um profissional competente e honesto (Michael Horton – O Cristão e a Cultura [Fonte]).


O trabalho nos é razão do enfado, do cansaço, por vezes de tristeza e tribulação mas nos será muito mais leve se não insistirmos em estarmos fora de nossa vocação. O cristão, em obediência à vontade de Deus, deve procurar conhecer a sua real vocação. Eu tive consciência da minha direção vocacional no final do Ensino Médio, quando percebi a minha inclinação clara para a comunicação, para o falar e para o explicar. O intento, mais de dez anos atrás era o de ser jornalista, mas os caminhos se voltaram para a educação e desde então sou professor. Passaria toda a minha vida feliz com minha profissão se as condições de trabalho fossem menos aviltantes. Lidar com crianças e adolescentes de hoje é muito próximo à ter que lidar com criminosos ou internados de um hospício, mesmo assim, sigo naquilo que é a preparação de Deus. Prosperar na carreira é parte da compreensão da vontade divina.


Avanço esse texto noutra direção. O dia, historicamente, que os cristãos reservaram para buscar maior intimidade com a sua fé foi o domingo. O primeiro dia da semana começa não como descanso, mas como tempo especial para dedicação exclusiva ao Senhor. Hodiernamente, a maior parte dos cristãos não observa essa dinâmica.


O domingo, sem que se volte o rosto e o coração à Deus é o mais triste e melancólico dos dias da semana. Quando estamos inclinados, totalmente, à religião nesse dia, obtemos refrigério para poder iniciar mais uma semana de labor. O labor é mais leve se o domingo é passado na igreja. É o tempo de limpeza. É o tempo de renovo. É o tempo de depositar com força as nossas assolações nas mãos de Deus e Dele obter uma resposta que nos permita seguir adiante.


Melhor seria se pudéssemos estar todos os dias dentro da casa de Deus:


1. Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!
2. A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3. Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.
4. Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. (Selá.)
5. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.
6. Que, passando pelo vale de Baca, faz dele uma fonte; a chuva também enche os tanques.
7. Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus.
8. Senhor Deus dos Exércitos, escuta a minha oração; inclina os ouvidos, ó Deus de Jacó! (Selá.)
9. Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10. Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios.
11. Porque o Senhor Deus é um sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão.
12. Senhor dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança.


Salmos 84:1-12

Se não for possível estar todos os dias dentro dos átrios da Casa de Deus, o cristão deve fazer todos os esforços para estar no domingo dentro da igreja, em plena comunhão com a Esposa de Cristo. Um domingo de louvor ao Altíssimo é a promessa renovada de que o labor será menos pesado. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Um sindicalismo à direita

Época de crise, de transtornos políticos e institucionais no Brasil, é época de colocar reformas em pauta e é justamente isso que o presidente Michel Temer vem realizando em seu governo. Discorde-se de como as reformas tem sido realizadas, discorde-se do próprio teor do que tem sido discutido, mas ninguém pode negar que é mais do que necessário realizar uma modernização em vários campos que tem travado o desempenho econômico e institucional do pais.

Só governantes muito bem avaliados e com ampla base política ou então sem nenhuma pretensão em reeleger-se é que podem fazer as tais reformas que o país tanto necessita. Essa segunda situação é o caso do governo Temer.

A Reforma da Previdência que hoje é aquela que o governo federal mais luta para aprová-la, no meu entender, é uma reforma que vêm para sepultar o fim da vida de muita gente. Pessoas que irão se aposentar após os 70 anos, independente mesmo dos dados de estimativa de vida, estão mesmo condenadas a trabalhar até a morte, sem desfrutar um só dia do repouso. Descanso mesmo só no sono eterno dentro caixão. A verdadeira reforma da previdência, deveria, justamente, eliminar o INSS e acabar com o atual sistema, permitindo que as pessoas que quisessem se aposentar fizessem planos de previdência privada, mais customizados aos seus interesses e ao ritmo de suas vidas, mas para isso não falta coragem do governo, falta mesmo é conscientização e formação doutrinária e ideológica.

A outra Reforma que está sendo tocada pelo Parlamento nesse momento é a Reforma Trabalhista, que pode vir a melhorar as condições para a empregabilidade no país.

Só de ouvir alguém dizer que se deve mexer em pontos da atual legislação trabalhista vigente eis que muita gente salta da cadeira, com completa exasperação para gritar "não mexam nos meus direitos"!

Essa turma não tem na verdade é real noção da situação do país, onde, segundo os dados oficiais, em uma estimativa conservadora, temos 12 milhões de pessoas desempregadas. O que é melhor, trabalhar em condições não tão ideias, como aquelas que a legislação trabalhista brasileira presume ou ficar sem trabalhar?

Os sindicatos e ainda mais as centrais sindicais tem ficado com o cabelo em pé diante da perspectiva de mudanças na legislação trabalhista. O que mais tem mobilizado os sindicalistas é justamente uma proposta que deve ser apresentada pelo relator do projeto de Reforma Trabalhista, o deputado tucano (mas, curiosamente, liberal) Rogério Marinho, que prevê o fim do imposto sindical. 

Se vier a ser aprovada, tal medida será um grande avanço para eliminar este tumor que adoece o país e que vive de sugar a já combalida classe trabalhadora. 

O imposto sindical serve para manter as infraestruturas dos sindicatos e sobretudo  das centrais sindicais. Em teoria, tais organismos deveriam existir para amparar trabalhadores e defender os seus interesses coletivos frente ao patronato e ao estado, contudo, a realidade se encontra muito longe disso. No Brasil, assim como em toda a América Latina, o sindicalismo é uma atividade político-partidária e não laboral. As principais lideranças sindicais do país: Lula, José Genoíno, Gushiken, Medeiros, Paulinho da Força e outros são há muito e muito tempo agitadores e lideranças políticas e não trabalhadores que defendem o interesse de sua categoria.

O fim do imposto sindical vai fazer minguar o dinheiro que hoje sustenta essa máquina de auxílio político da esquerda, que manipula trabalhadores incautos para o seus interesses ideológicos. 

O sindicato não é moralmente ruim, ao contrário, a sua existência se faz necessária, ainda mais em um país de mentalidade tão diabólica como é o Brasil, onde valores como a solidariedade e a verdadeira fraternidade não existem. Nós não tivemos uma base religiosa consistente que nos fornecesse isso. Se um patrão puder explorar, até a última gota de suor do seu empregado, ele vai fazer. De igual maneira, se o funcionário puder procrastinar o dia todo, também assim fará. Levar vantagem em tudo é a razão de vida de qualquer brasileiro.

Portanto, é necessário que exista uma organização que realmente venha defender o ponto de vista classista (assim como também acho extremamente válido que existam associações patronais que defendam os seus ganhos) e que não faça política ou exista para servir de apêndice para os fins ideológicos subversivos e revolucionários, como hoje é a realidade desse campo no país.

Com o fim da contribuição sindical, os sindicatos terão que correr atrás do prejuízo e tirar a ferrugem de suas engrenagens, para voltar a ser um serviço de defesa do trabalhador. Vai ser ótimo ver uma modernização no discurso sindical, nas estruturas dos sindicatos e das centrais, que tentarão atrair mais o trabalhador para que ele tenha uma efetiva participação e veja o seu interesse ser verdadeiramente defendido. Isso vai tirar o sindicalismo das mãos da esquerda, em último caso e, no primeiro momento, abrir espaço para que novas correntes de trabalhadores livres se organizem para defenderem suas causas, sem que assim sejam massa de manobra dos partidos socialistas, como PT, PC do B, PSTU, PSOL e PCO.

O turismo.

Qualquer governante que pensasse em fazer sua cidade, estado ou este país chamado de Brasil prosperar economicamente deveria pensar em turis...