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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ainda em Babel

A Torre de Babel da imitação simiesca do pentecostalismo ítalo americano teve ainda outras ramificações igualmente pequenas, já no final da década passada e nesta década de 20, do século XXI. 

Há aquele que, movido pela busca de um passado idealizado, do período exato onde havia uma era de ouro desse pentecostalismo na América, especialmente Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil, foi criando um pequeno movimento em torno de si e, ainda em algum momento, se aclamou ou foi aclamado pastor. Não digo ordenado, pois, para isto seria preciso uma ordenação presbiteral, o que não consta ter ocorrido. Se este quis imitar a Assembleia Argentina, me pergunto por que a denominação evangélica daquele país não promoveu missões evangelísticas oficiais no Brasil. 

Mais recentemente notei um movimento de outros que imitam o nome e até o dístico em castelhano "Dios é amor". Zero sentido manter uma placa com esses dizeres sem que se tenha falantes de espanhol como público. Se isto não é uma macaqueação, que poderá ser, então? Mas, como é observado noutras pequenas cisões, se busca de cara o uso da Harpa Cristã em hibridismo disfarçado com o hinário Hinos de Louvores e Súplicas e se libera para que grupos de louvor e cantores possam se apresentar com músicas gospel dentro do salão de reuniões. Enquanto uma parte sensata do protestantismo vem buscando uma nova afirmação dos hinos formais e do canto congregacional, alguns se mostram vanguarda do atraso, em nome de uma proclamada liberdade. Que cada um faça a sua avaliação. 

Neste último movimento, não posso deixar de observar alguma coisa estranha, algo como uma tentativa de outra denominação dita reformada tentar sabotar os velhos crentes da Congregação. Aparentemente, ao contrário do movimento de Jandira, apesar da geografia da zona oeste da Grande São Paulo, aqui há um método, que transita entre a sabotagem e a imitação. 

domingo, 28 de junho de 2026

Confusão de línguas

Não posso precisar a data exata e estou com preguiça de pesquisar no Google, mas, me recordo do baque que parecia ter sido o cisma dos três (depois de um tempo, só dois) anciões da cidade de Jandira. Me recordo de ler na época em blogs e fóruns voltados aos assuntos da Congregação, pessoas com muita expectativa sobre esse novo movimento, como se fosse um "movimento de reforma congregacionalista". O tempo é senhor da razão, já diz o velho ditado. Anos passados, o vírus da desagregação atacou no cerne dos desagregadores. Nunca deixaram de ser uma denominação de igrejinhas, sem aqui qualquer menosprezo por igrejinhas, desde que sejam autênticas reuniões de crentes devotos. Onde há algum gás ainda se deve, tão somente, ao financiamento do ancião fundador, um rico empresário da região oeste da Grande São Paulo. Uma denominação sem teologia, sem um credo doutrinário bem fundamentado, sem liturgia, sem qualquer coisa daquelas que os empolgados dos anos 2010 na internet e, em oculto, nas igrejas, esperavam que a nova cisão viesse trazer. Nada ali subsistiu. 

Se tivesse que seguir algum modelo distinto, mas que estivesse amparado pela tradição do pentecostalismo italiano, poderiam ter se amparado nos zaccardianos, na Assemblea di Dio, na Congregazione Cristiana Evangelica, de Messina, ou ainda na Assembleia Cristã, da Argentina. Mas, não seguiram nada senão suas cabeças cheias de ambição por fama e poder. O dinheiro não compra organização, nem classe, nem ordem, nem história. E Deus mais uma vez fez confusão entre os homens. 

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Um pentecostalismo elegante.

 Faleceu no último fim de semana o pastor Gedelti Gueiros, fundador da Igreja Cristã Maranata. Aqui em São Paulo essa denominação evangélica não é tão relevante, numericamente, como é no seu estado de fundação, o Espírito Santo. Os Gueiros eram presbiterianos que se separaram do presbiterianismo e caminharam em direção ao pentecostalismo. O que me chamou sempre a atenção, observando o movimento pelo olhar sociológico, é que a família Gueiros era uma família bastante educada, com acesso à espaços de poder. O pastor Gedelti foi um importante dentista e uma figura extremamente respeitada na sociedade capixaba. O atual presidente da igreja, Alexandre Gueiros é jurista e diplomata. O destacado poeta Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras, é pastor maranata. 

Em um contexto de baixa escolarização, como é, normalmente, o meio pentecostal brasileiro, estejamos falando de lideranças ou de fiéis, a liderança presbiteral da Igreja Maranata tende a fugir da regra. Embora não pareça que seja dado destaque a essas figuras por suas formações profissionais e acadêmicas, ainda assim isso se destaca. Carlos Nejar talvez seja o protestante mais destacado nas letras brasileiras. Não me recordo agora de outro nome, ao menos vivo, que possa fazer-lhe sombra nesse quesito. Ao menos que tenha algum reconhecimento sobre si. Há inúmeros professores, acadêmicos que são evangélicos, mas não gozam do prestígio que o poeta tem. 

Grosser Gott wir loben Dich