sábado, 28 de março de 2026

Curtas

 Eu tenho uma tese sobre isso do Rei Carlos, da Inglaterra, ser ora apresentado como um iniciado sufista, ora como um cripto judeu nato e oficialmente como chefe supremo da Igreja Anglicana, portanto, um cristão protestante e herdeiro do anglo-catolicismo. Tudo isso só é possível, de fato, dentro de uma estrutura esotérica sufista, se com relacionamento direto com o movimento guenoniano não sabemos. A Inglaterra, o maior império da história, em extensão, possibilitou que o esoterismo ocidental pudesse perscrutar o esoterismo oriental, nativo americano e africano. Nenhum outro império pode ter tanto acesso à  todas as matrizes esotéricas quantos os ingleses. Eu lamento muito por isso. O engano tomou conta. Meu interesse nisso é enquanto fenômeno social, fato histórico. Religiosamente a importância de tudo isso é nula. Toda teologia cristã já esculhambou isso. Lamento mais ainda pela bela Igreja Anglicana, hoje pervertida por sodomitas, feministas e liberais. Ainda há justos lá. Não serão totalmente aniquilados. Há uma chance de restauração.

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Talvez isso tenha acontecido em 2010. Mais tardar 2011. 

Eu lia um livreto daqueles de máquinas do metrô, em papel jornal, da editora Escala. Era um livro de aforismos e sentenças de Frederico Nietzsche. Me lembro bem da cena. Estava sentado no fundo do ônibus, ou da linha 576-C/10 ou da 5010-10, que saem de Santo Amaro e vão até o Jabaquara. Eu tinha esse hábito de sair mais cedo de casa e pegar vários ônibus para ir até Santana, por duas razões, para economizar com a integração com o metrô e para poder andar pela cidade e a observá-la. Para mim é sempre uma alegria olhar a cidade. Nesse dia, uma moça se sentou perto de mim e puxou conversa sobre o sifilítico filósofo. Eu estava no alvo daquela aranha que pretendia me arrastar para sua teia. Hoje, em período de Tinder, não sei se isso continua existindo, isso, digo, o flerte em locais públicos. Não ando mais de ônibus há muitos anos. Nas filas do supermercado ou nos atendimentos que faço na repartição nunca presenciei isso. Nem na igreja eu vejo algo semelhante. Não faço ideia de como as pessoas se relacionem mais. Talvez eu devesse ter me aproximado da teia daquela aranha. 

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By Richard Nadler. Uma coisa que me chama muito a atenção é como o automobilismo não diminuiu em interesse e vem renovando seu público entusiasta. Isso concorrendo com os jogos eletrônicos e as redes sociais. É visível que a Fórmula 1 no Brasil perdeu apelo nos últimos vinte anos, devido ao fracasso de novos pilotos brasileiros. Pós Barrichello e Massa, nenhuma nova expectativa se criou. Ainda assim, na escola, vejo moleques que gostam de corrida. Carros são realmente uma obra de arte da indústria. Nas corridas, uma obra de arte de artesãos.

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A falta de informação e a desinformação explicam a razão da direita política atual e dos evangélicos atuais serem abertamente e ostensivamente a favor do Estado de Israel. A falta de informação sobre como os judeus historicamente veem os cristãos, como o Talmud, o livro sagrado do judaísmo rabínico se refere à Jesus Cristo e à Maria Virgem, sobre como os judeus acham que são uma raça superior a todos os demais povos do mundo -- por direito divino e que quando o seu falso messias vier eles irão dominar todos os demais povos e nos fazer de escravos seus. Desinformação, ou melhor, mentira, ao perverter o dispensacionalismo, vertente cristã da escatologia, que vê a história da Igreja em eras de dispensação do poder divino, onde haverá o milênio literal. Na perversão difundida pela maçonaria judaica (via Bíblia de estudos Scofield), os judeus passam a ter um papel especial nesse processo. O cristianismo nunca aceitou essa tese herética, nem no catolicismo, nem no protestantismo histórico. Igrejas são fechadas em Israel. Israel que apoiou o ISIS, que colocou terroristas no poder na Síria e que hoje fecham igrejas cristãs na Síria. Roma versus Judea nunca terminou. Só há um lado correto nessa guerra, o de Roma. Judeus não protegem cristãos, ao contrário, nos atacam. Que se lasquem o quando for preciso na guerra em que criaram.

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A direita brasileira atual é uma só coisa: um híbrido entre o centrão fisiológico e neoconservadorismo americano. É péssima. Mas, não critique, não fale nada, senão o Lula se reelege. Uma direita brasileira que fica se estapeando num evento do Partido Republicano, o CPAC, só demonstra que estamos falando de vendilhões, não de patriotas. Nada me surpreende. Separatismo contra essa gente. O separatismo é sempre um cordão sanitário.

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Minha mente, diariamente, me leva em lugares da cidade de São Paulo. Estou pensando em alguma coisa qualquer e vejo um frame da Avenida Vereador José Diniz. Estou dirigindo e vejo na mente a Avenida Pompéia. Noutra hora estou transplantado para a Avenida Sapopemba ou a Rua da Mooca. Isso me lembra que ontem, andando pela região da Saúde e do Planalto Paulista eu fiquei espantado como a cada dia que ando em São Paulo eu conheço uma rua nova, um pedaço novo da metrópole e dela não me enjoo. São Paulo é única e irrepetível. É a maior cidade do mundo. É o mundo.

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O nacionalismo brasileiro parece estar em processo de uma nova onda, impulsionado pela saída de cena do nacional desenvolvimentismo do Ciro Gomes, com o fracasso total do PDT, que se converte em simples legenda alternativa ao PT, portanto, refém do esquema de juros altos e máfia dos bancos, do qual o PT é o grande representante e pela paralela ascensão do ex-comunista Aldo Rebelo, que não se pode negar o espírito de Policarpo Quaresma de longa data, raposa velha da esquerda parlamentar que se cansou dos conchavos parlamentares e deverá sair candidato à presidente. A velhice dá esses ataques de coragem. Aldo já foi ministro várias vezes, deputado federal, presidente da câmara, eminência parda. Agora quer tentar arriscar disputar a presidência, talvez mais para denunciar o esquema político que aí está do que qualquer outra coisa. Acho que ele está certo. Apesar de ser um opositor total ao nacionalismo brasileiro, acho que para o primeiro turno uma figura como Aldo Rebelo é digna de receber um voto. Não por outra razão senão pela ausência de coisa melhor na disputa. Já votei no Eymael e no Levy Fidelix. Agora o micro candidato é ele. No segundo turno é só o anti-PT mesmo. 

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Meta profissional: passar a semana enrolando para escrever uma coluna para um jornal de domingo. Ser fartamente remunerado por isso. A Mega Sena é um sonho mais factível.

sábado, 21 de março de 2026

Curtas

 Aleksandr Dugin é um nome muito falado no meio conservador brasileiro. O debate que teve com Olavo de Carvalho, em 2011, sobre a Nova Ordem Mundial ressoa até hoje. Os comentaristas políticos falam em sua influência se estendendo até o Estado Maior brasileiro. Eu não duvido. Eu li esse debate. É um livrinho fácil de ser lido, embora a discussão seja cansativa pelos dois lados. Recentemente li outros livros sobre a influência da escola perenialista, da qual Dugin é um filhote indireto, na política. Entendo, assim como outros, que a sua relevância é inconteste. É um pensador que mistura escatologia, milenarismo e gnosticismo. Seria possível um tradicionalismo político paulista, nos moldes do modelo que Aleksandr Dugin pensou para a Rússia? Qual o papel teleológico que São Paulo tem no concerto da história das nações? Haverá uma escatologia política paulista?

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O Agente Secreto não é filme ruim. Diria que ele não é ruim não só em comparação com um filme brasileiro. Ter como panorama histórico algumas maldades genéricas da ditadura militar não é um problema. O Brasil teve uma ditadura militar. Eu gostaria que fizessem mais filmes mostrando os crimes da ditadura Vargas. É um assunto que precisa ser explorado. Mas, não me parece que a ideia que os autores tinham era vender a coisa como um filme a mais sobre o governo militar. A ideia é de um drama ambientado nesse contexto histórico. O filme tem méritos técnicos. Um Peugeot 206 também tem seus méritos técnicos, ainda assim, nem o filme, nem o carros são dignos de aplausos.

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Leio notícia que o deputado Hélio Lopes, vulgo, Hélio Negão, teria mudado seu domicílio do Rio de Janeiro para Roraima. A mudança indiscriminada de domicílio eleitoral, como hoje permite a legislação eleitoral, precisa ter um fim. Hélio Negão não conhece as necessidades e a realidade de Roraima, assim também o governador Tarcísio de Freitas não tem nada a ver com São Paulo, não tendo nenhum vínculo com a Pátria Bandeirante, ainda assim, o sistema aceitou que ele estabelecesse domicílio eleitoral, em 2022, na cidade de São José dos Campos, onde seu vice, Felipe Ramuth já tinha sido prefeito. Tudo combinado, é claro. A ideia de que um sujeito pode disputar uma eleição em qualquer buraco que não more reforça a ideia de que políticos devem ser sujeitos técnicos, um certo tipo de burocrata ou ser super esclarecido, pouco importando a sua origem. Discordo. Políticos devem morar no rincão que representam. Devem ter identidade com sua cidade e estado. O Brasil, que ama a regulação estatal, precisa regular melhor isso.

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Eu tenho medo de políticos que tenham visão modernizadora. Mais medo ainda tenho daqueles que mais que a visão tem a ação modernizadora. Na estação que passamos, devemos olhar mais para trás. O futuro é só tristeza. Precisamos evitar que ele chegue a todo custo.

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Lula agora está usando chapéu. Está querendo seguir o modelo do Aldo Rebelo? Aliás, a ideia de ter que votar no Aldo Rebelo, comunista e palmeirense, muito desagrada. Porém, nesta vida tereis aflições...

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Sempre achei que escola não é lugar para religião. Especialmente escolas públicas. Aliás, escola não deveria ser lugar para violência, mas é, não deveria ser espaço para quem não tem vocação mínima para o estudo, mas é, não deveria ser espaço para assédio, mas é. Não deveria ser espaço para um monte de coisas, mas é. A escola é tudo aquilo que ela não deveria nem poderia ser. 

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Em que ano essa história deve ter se passado? Eu estimo em 2008. Meu pai estava internado em hospital que foi fechado há mais de dez anos. Acho que estava com uma camisa cinza chumbo, a mesma que usei na foto da minha reservista. O velho tinha uma plêiade de doenças. Dessa vez a internação tinha a ver com o intestino. Me lembro que nessa internação eu dei banho nele com a mangueirinha da ducha higiênica do apartamento do hospital e que essa ducha parecia tão forte como uma Wap. Um dia, nesse período, minha tia resolveu visitar meu pai e eu fui junto por alguma razão. Essa minha tia é uma versão do Ronald Golias de saia, pelo sotaque paulista carregado e pela generosidade. Desse dia com ela eu ainda me lembro de algumas coisas: nós dois parados no ponto de ônibus central, do corredor, de um motoqueiro que foi abalroado na pista ao lado. Me lembro de ver alunos do cursinho do Objetivo saindo da aula. E me recordo que minha tia mexeu no meu cabelo e falou: "você está com cabelo duro, isso é coisa de preto". A fala não me causava surpresa nenhuma. Meu pai tinha a mesma fala dela, afinal, eram irmãos. De tanto lavar o cabelo com sabonete, meu cabelo ficou mais crespo. Depois, quando o dinheiro voltou a possibilitar que se usasse shampoos em casa, o cabelo alisou para o normal, novamente. Meu pai já foi há quinze anos. Essa minha tia nonagenária está aqui entre nós. É ótimo ter tias. E ter pai.



Curtas

 Eu tenho uma tese sobre isso do Rei Carlos, da Inglaterra, ser ora apresentado como um iniciado sufista, ora como um cripto judeu nato e of...